Há duas formas para viver a sua vida: Uma é acreditar que não existe milagre. A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.” (Fernando Pessoa)

O tratamento contra o câncer pode causar quatro efeitos: perda de cabelos e pelos, anemia, enjoo e fadiga. Nem sempre todos esses efeitos acontecem juntos. Mas algum deles acontecerá.

A fadiga ocorre normalmente algum tempo depois das sessões de quimioterapia ou de radioterapia. É um estado de prostração e desânimo que costuma diminuir com o passar do tempo.

Se a sessões do tratamento forem feitas de 21 em 21 dias, a fadiga é mais intensa até o décimo dia. Mesmo durante os dez dias muita gente costuma ter a recuperação da energia, aos poucos.

Muitos doentes voltam às atividades normais depois da fadiga, principalmente aqueles que se cuidam e seguem as orientações médicas.

As fases da fadiga e da fraqueza exigem atenção redobrada, porque diminuem nossas forças físicas e mentais de maneira considerável. Nessa situação, é preciso buscar recursos de onde não nos acostumamos retirar.

Em várias situações é preciso ativar áreas cerebrais que normalmente não usamos. Isso é tarefa nova, mas possível de realizar.

Com disciplina e paciência, inúmeros doentes se enchem de energia em menos tempo que o normal. Fazem isso usando um recurso extremamente simples: o otimismo.

Pessoas otimistas são aquelas que mantêm viva a fé, a esperança e a crença de que o segundo seguinte, ou a hora subsequente, ou o dia posterior, ou ainda o ano ou a década vindoura serão melhores que os momentos anteriores.

Ao sermos otimistas sabemos o rumo que vamos tomar: o da certeza de dias melhores. Esta convicção, ainda que só ela isoladamente, funciona como impulso para realizarmos algo que antes acharíamos que seria impossível fazer.

Fadiga e fraqueza são diferentes. Enquanto a primeira é passageira, a segunda se manifesta pela sensação de abatimento, indisposição e pode durar mais tempo, porque o sistema imunológico dos doentes fica muito debilitado.

Para vencer a fadiga, é preciso repouso. Para derrotar a fraqueza são necessários métodos otimistas e obstinação.

A pessoa com câncer deve ter a observação constante de tudo o que sente e procurar saber os seus limites, sempre consultando os profissionais da saúde, principalmente o médico. Mas as recomendações a seguir podem ser úteis:

Para aliviar a fadiga:

1. A fadiga exige tempo maior de repouso. Nessa situação, o corpo não deve fazer esforços. É preciso respeitar nossos limites físicos e não sobrecarregar o corpo. Por isso, os compromissos devem ser adiados.

2. O doente deve ficar deitado ou sentado, mas longe de atrações visuais, como televisão, computador ou livros, porque na fadiga o nosso corpo exige dedicação total à recuperação.

3. Qualquer sobressalto ou emoção mais intensa irá prolongar a fadiga. Dessa forma, o doente pode decidir não receber uma visita, por exemplo. Um parente ou amigo, mesmo bem intencionados, poderão conversar demais e causar mais cansaço.

4. Não é preciso o doente ficar remoendo se foi ou não indelicado com as pessoas, pois isso também retira energias do corpo e interfere negativamente no tratamento.

5. Dormir, meditar, relaxar durante os momentos de fadiga faz com que o nosso cérebro aceite o comando de que estamos amando e tratando bem o nosso corpo. Com essa autoaceitação, o próprio organismo se encarrega de vencer a fadiga.

6. O doente deve se alimentar bem e se concentrar na recuperação das energias, mantendo otimismo diário, mesmo se estiver prostrado. O cérebro ficará condicionado a esperar uma melhora rápida. Por isso, é tão importante a dedicação total, que reforça na pessoa os sentimentos otimistas.

Para superar a fraqueza:

1. A fraqueza pode ser o efeito de uma anemia, por exemplo. Quadros de fraqueza se confundem com a fadiga, mas o doente poderá diferenciar uma coisa da outra  e procurar recursos imediatos se sentir que é impotente para resolver a situação.

2. Pode ser uma boa solução consultar equipe multidisciplinar, com médicos gastroenterologistas, endocrinologistas, nutricionistas, nutrólogos, fisioterapeutas e outros especialistas da área médica. Muitas clínicas e hospitais possuem equipes multidisciplinares, inclusive com dentistas oncologistas.

3. É importante o doente ter a fé de que a fraqueza irá diminuir e que as energias voltarão. Na grande maioria dos casos são relatadas experiências de vencedores, que esperam pelo melhor e, como prêmio, tiveram estado físico geral.

4. As pessoas que têm contato com os doentes muitas vezes demonstram, na fisionomia, que estão espantadas ou surpresas com o estado físico do doente. Nessas horas o doente precisa demonstrar que não deixará se abater.

5. A neurociência tem demonstrado que o ser humano possui recursos que só são usados em situações especiais. A fraqueza é uma delas. Todas as pessoas que insistem em achar uma maneira de melhorar encontram alívio e soluções.

6. O doente deve manter concentrado no objetivo de vencer a fraqueza. Todos os momentos do dia, do amanhecer ao anoitecer, e durante o sono, devem estar voltados para a recuperação das forças físicas e mentais. Isso é a obsessão saudável. Só é preciso evitar o estresse e a ansiedade. Tudo se resolverá no tempo certo.

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