Sobre os danos do glúten ao organismo humano:

O intestino perde as partes sinuosas reduzindo a capacidade absortiva. Com isso, é possível desenvolver quadros de anemia, desnutrição, osteoporose e alguns tipos de tumores, principalmente os linfomas do aparelho digestivo. Em gestantes, a condição leva a um risco maior de aborto.” (os grifos não constam do texto original). Trecho do artigo “Dieta combate doença celíaca, publicado em 13/12/2012 pelo Hospital Albert Einstein (http://www.einstein.br/einstein-saude/pagina-einstein/Paginas/dieta-combate-doenca-celiaca.aspx)

Uma das maiores preocupações das pessoas que se curam de um tumor maligno é possibilidade de recidiva, isto é, o risco de o câncer se instalar novamente. Vivi esse pesadelo, porque um dos principais exames de sangue específicos do linfoma, o beta 2 microglobulina, mostrou alterações no meu organismo, dois anos e meio depois que fiquei curado de um câncer linfático (linfoma).

O exame de beta 2 microglobulina é um dos denominados genericamente de “marcadores tumorais”, porque as células neoplásicas produzem e liberam na corrente sanguínea substâncias peculiares ao seu fenótipo.

No início do tratamento do linfoma, meu exame de beta 2 microglobulina marcava mais de 5.600 ng/ml, muito acima do máximo de 2.164 ng/ml.

Terminado o tratamento, os níveis de beta 2 microglobulina caíram para pouco mais de 1.600 ng/ml, dentro da normalidade. Porém, progressivamente foram aumentando até que em julho de 2012, dois anos e meio depois de terminado o tratamento, o exame registrou 2.806 ng/ml. Fiquei apreensivo, porque era indício de que poderia ficar doente de novo e passar novamente pela tortura do tratamento.

Apesar de todo o meu esforço para reduzir os alimentos possíveis de causar inflamações no organismo, tive sobressalto com o exame. Mas não desisti de pesquisar sobre a possível causa. Assim, decidi retirar o glúten da alimentação.

O glúten, proteína encontrada no trigo, aveia, centeio, cevada, malte e derivados, foi associado, recentemente, como possível causador de linfoma do aparelho digestivo, de acordo com a pesquisa do Hospital Albert Einstein na introdução deste texto.

No início, achei que fosse praticamente impossível viver sem me alimentar de pães, bolos, macarronadas, pizzas e uma infinidade de alimentos derivados principalmente do trigo.

O esforço para me adaptar à vida sem glúten, todavia, foi fácil. Descobri várias receitas de alimentos nutritivos e saborosos, feitos de polvilho, milho, fécula de batata, amido de milho, farinha de arroz e outros, que supriram muito bem a vontade comer o tradicional pão de trigo.

O primeiro efeito da retirada do glúten foi imediato. Minha disposição física aumentou significativamente e meu peso despencou. Emagreci quase dois quilos em pouco mais de um mês.

O que me interessava, no entanto, era repetir o exame de beta 2 microglobulina, que foi feito em agosto de 2012, pouco mais de quarenta dias depois de ter extrapolado os limites. A retirada do glúten revelou queda acentuada do índice do marcador tumoral, que ficou em 2.236 ng/ml.

Outro exame foi feito em novembro de 2012 e revelou que o índice do beta 2 microglobulina estava dentro da normalidade. Ficou em 1.716 ng/ml.

Novos exames foram marcados para fevereiro/2013 e maio de 2013. Aproveitei as duas oportunidades e, mais ou menos dez dias antes, ingeri glúten normalmente, para ver se tinha relação com o aumento do beta 2 microglobulina. O nível subiu para 1.838 e 1.963, respectivamente.

Para provar a relação glúten/linfoma, novo exame foi feito no início deste mês de agosto. Desta vez, não me alimentei de glúten e consumi muita curcumina tanto no curry quanto in natura, no açafrão da terra.

A curcumina é um dos mais potentes anti-inflamatórios naturais existentes. Pesquisas revelam que é um dos poucos alimentos que comprovadamente combatem câncer.

Creio que a associação ausência de glúten e consumo de curcumina provocaram o excepcional resultado no meu mais recente exame de beta 2 microglobulina, que ficou em 1.617 neste início de agosto de 2013, muito abaixo da referência máxima de 2.164. Foi o melhor índice desde o fim do tratamento em dezembro de 2009.

O resumo abaixo não deixa dúvidas da influência nociva do glúten em minha vida:

5 julho/12 16 agosto/12 13 novembro/12 1º fevereiro/13 11 maio/13 1º agosto/13

2.806

2.236

1.716

1.838

1.963

1.617

Valores de referência: 609,00 a 2.164 ng/ml

Outras pesquisas sobre os danos do glúten ao organismo podem ser feitas nos sites ou com o nome dos artigos abaixo:

http://www.einstein.br/einstein-saude/nutricao/Paginas/adeus-gluten.aspx.

Intolerantes não são as únicas vítimas de comidas com glúten – Especialistas se dividem e alguns creem que restrição é mais um modismo. Publicado no Jornal O TEMPO em 16/02/2013 kenneth Chang (The New York Times) – Traduzido por Raquel Sodré.

A relação da nutrição com as Doenças da Tireoide – Adaptado do artigo Nutrição funcional nas desordens tireoidianas (Revista Nutrição e Performance nº 31, 2008)

Valeu a pena ter feito a experiência. Espero que os cientistas possam aprofundar a pesquisa e estabelecer a relação nociva entre glúten e linfoma e talvez outros tipos de câncer.

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