Pessoas desesperadas costumam ouvir e seguir muitos conselhos de parentes e amigos. Isso ocorre porque em momentos de fragilidade qualquer solução que pareça eficaz e rápida representa esperança de alívio para a dor.

            A situação de quem sofre pode ser encarada pela própria pessoa de duas maneiras:

1. Acreditar que deve sofrer. Nesse caso, o cérebro do sofredor praticamente se apega à dor, acredita que aquela situação irá perdurar. Assim, tais pessoas são amarradas ao sofrimento.

A dor se amplia, a fraqueza se apossa de corpos e mentes, o espírito se torna débil. O sofrimento escraviza, em situação na qual há o aprisionamento de seres humanos ao ciclo de dores e tormentos.

2. Ter a certeza de que a situação se resolverá. Quem pensa assim já começa com a solução esboçada na mente consciente. Daí em diante, o fortalecimento só tende a aumentar, ainda que existam momentos de fraqueza, normalmente transitórios.

A reviravolta para melhor é relativamente simples, pois pessoas com fé, esperança e certeza de que o futuro será melhor costumam dar ordens da mente consciente para a mente inconsciente ajudar na superação. Com tal estratégia, o sistema imunológico normalmente se fortalece e os objetivos são alcançados. A neurociência confirma essa tese, conforme relata o neurocientista Daniel Eagleman, no livro Incógnito, Editora Rocco, 2011.

Qualquer que seja a postura de quem passa por turbulência, seja otimista ou pessimista, sempre aparecem pessoas bem intencionadas que tentam ajudar, sugerindo as seguintes práticas: espirituais, comportamentais e as relacionadas com a ingestão de alimentos.

As práticas espirituais não possuem contraindicação.

Rezar, entoar mantras, fazer rituais que fortaleçam o espírito ajudam, e muito, pessoas em dificuldades. O que deve ser sempre lembrado é que, se o objetivo for o de curar qualquer doença, o doente deve seguir as recomendações de especialistas na área, principalmente dos médicos.

Acreditar que só as práticas espirituais funcionam pode ser ou não o melhor caminho. Existem inúmeros relatos de pessoas que dizem ter superado dificuldades apenas com orações. Entretanto, não custa, também, seguir as orientações e recomendações de profissionais que lidam com a situação que se quer resolver.

Em situações de dificuldade, todos os esforços devem ser feitos. Aliar a crença e o fortalecimento do espírito aos remédios, alimentação e estilo de vida saudáveis proporciona melhor qualidade de vida e ajuda a resolver problemas.

Os comportamentos sugeridos por amigos e parentes também podem auxiliar muito aqueles que precisam de soluções. Mas cautelas e habilidades são necessárias.

Pessoas que têm por nós estima e amor costumam falar apenas aquilo que nos agrada. Nem sempre o que nos dizem para fazer é o melhor. Por exemplo, ficar de repouso por longos períodos pode ser bom, ou causar problemas. É preciso ter discernimento sobre os comportamentos e consultar também as pessoas da área de saúde, se for o caso.

A sinceridade machuca. Nos dias atuais enfrentamos verdadeiras resistências tanto para falar, o que pode contrariar alguém de nossa estima, quanto de aceitar recomendações que não nos agradam.

Falar com absoluta sinceridade, pensando o melhor para o amigo ou parente é difícil. Se as palavras não forem bem escolhidas, causará efeito contrário. Muitas amizades terminam desse jeito. É possível que o mal-estar destrua laços de afetividade construídos durante anos.

Pessoas que ouvem recomendações devem, no mínimo, refletir sobre o que não lhes agrada. Pode ser que um conselho duro seja verdadeiro e provocar mudanças positivas, mesmo à custa de esforços. Quem passa por dificuldades precisa quebrar resistências psicológicas e analisar os fatos. Só depois deve decidir o que será melhor.

Não é recomendável nos afastarmos das pessoas que sabidamente gostam de nós, mas falam o que não queremos ouvir.

A principal questão sobre os conselhos salvadores é relativa ao uso de soluções encontradas na crença popular. Esses são problemas sérios e que merecem toda a atenção.

Exemplo: circula na internet muitas sugestões e receitas de chá de folha de graviola e de uso do avelós ou aveloz (encontrei as duas grafias). Da mesma maneira que existem muitos relatos a favor, há também restrições divulgadas por pesquisadores e cientistas. Pode haver toxidade no uso dessas substâncias.

Mais do que em qualquer outra situação, o consumo de alimentos deve ser tratado com extremo critério. Pessoas doentes poderão ficar muito debilitadas se usarem os produtos de modo errado.

Meu exemplo ilustra bem. Quando tive câncer linfático recomendaram que eu fizesse massagem linfática. Sem consultar o oncologista fiz a grande besteira de fazer uma sessão da massagem. Aquilo foi péssimo e corri sério risco de agravar a doença. Só depois de curado fiquei sabendo que jamais poderia ter feito aquilo.

Não existem fórmulas totalmente milagrosas. Existem incontáveis situações e contextos diferentes. O que cada pessoa deve fazer é ter disciplina férrea em seguir conselhos que comprovadamente ajudam e usar corretamente os medicamentos prescritos por profissionais de saúde.

As práticas alternativas devem ser analisadas. Sugiro no meu livro meditação e técnicas de obter o otimismo. Em princípio, tais práticas não possuem restrições, mas precisam ser usadas como tratamento complementar alternativo e também debatidas com outras pessoas para obter melhores benefícios.

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