Amigos,

A revista Isto é, de 6 de novembro de 2013, nº 2294, trouxe matéria interessante sobre a resiliência. Este assunto é o título de um capítulo do meu livro.

Minha abordagem tem muitos pontos de contato com a reportagem. Por isso,  transcrevo abaixo um artigo que publiquei no site http://www.metro.org.br.

A resiliência

“Todos nós temos um câncer dormindo em nós. Como todo organismo vivo, nosso corpo fabrica células defeituosas permanentemente. Mas nosso corpo é também equipado com múltiplos mecanismos que permitem detectá-las e contê-las.” Com essa convicção, o Dr. David Servan-Schreiber, neuropsiquiatra, aposta em nossa poderosa biologia anticâncer, capaz de nos prevenir contra a doença e até de curá-la definitivamente. Texto extraído do livro “Anticâncer – Prevenir e vencer usando nossas defesas naturais”, do Dr. David Servan-Schreiber. Editora Objetiva Ltda. (Fontanar), 2008, contracapa)

A resiliência é só um entre os vários mecanismos que Deus dotou o ser humano para demolir barreiras de qualquer espécie.

O termo, originário da física, é usado para definir a resistência de certos materiais aos choques. Com o tempo, também passou a ser usado na área das ciências humanas. Nesse caso, representa a capacidade do ser humano de superar traumas físicos e psicológicos, de resistir e sobreviver às adversidades, para reconstruir a sua vida de maneira positiva.

A resiliência varia de pessoa para pessoa, pois nos momentos mais críticos as reações entre os indivíduos são diferentes. Alguns têm reações mais otimistas; outros, mais pessimistas. Mas o que determina mesmo o sucesso na superação das dificuldades é a resiliência empregada para resolver os problemas.

É possível afirmar que a resiliência tem a sua raiz no instinto de sobrevivência, surge da vontade de lutar e de dar continuidade à vida. É testada somente em circunstâncias de desafio, situações limite, quando o ser humano não tem muitas opções, a não ser enfrentar o perigo ou a tragédia.

Em situações normais, quando não existem ameaças ao ser humano, dificilmente alguém poderá saber se é mais ou menos resiliente às intempéries da vida. É a verdadeira situação de lutar ou fugir.

Ao lutar, a pessoa pode mostrar maior ou menor grau de bravura, que será proporcional à sua resiliência. Se fugir, poderá, em alguns casos, demonstrar resiliência ao preservar a integridade física e mental.

A fuga pode conduzir à sobrevivência em muitas situações. Caso típico é o das gangues que atacam sem motivo algum qualquer pessoa que se coloque em seu caminho. Não é sensato enfrentar tais indivíduos covardes, insanos e cruéis, que sentem prazer em agredir desconhecidos na rua para que possam se sentir poderosos e importantes. Em momentos assim, sem forte aparato policial, o melhor é correr até se pôr a salvo.

Fugir de gangues ou de ameaças que não podemos suportar, é correto e demonstra sabedoria. De nada adianta tentar bancar o herói se o obstáculo à nossa frente é quase intransponível. São resilientes pessoas que agem com prudência e evitam confrontos desnecessários.

Mas se o caso pode ser resolvido ou o confronto é daqueles que se apresentam como ameaça à honra, se a muralha a transpor é pequena e ainda assim optamos pela fuga, demonstraremos pouca ou quase nenhuma resiliência.

É preciso cuidado quando intimamente temos noção de que podemos vencer e mesmo assim abandonamos o campo de batalha. Se em qualquer luta, por pequena que seja, a vitória é possível, o melhor é enfrentar, ainda que fiquemos sujeitos à derrota. O sentimento de covardia será devastador se não nos empenharmos o suficiente. Dessa forma, haverá sofrimento e frustração.

Os momentos de fraqueza são sempre registrados pelo nosso cérebro, causam desconforto interior e nos incomodarão por toda a vida, pois não podemos fugir de nós mesmos. Então, sempre que pudermos devemos optar por ser resilientes.

É certo que em determinadas situações a fuga é o melhor meio de sobrevivência, mas não é a regra. Se assim fosse, o homem não teria dado os passos mais audaciosos para que a humanidade pudesse evoluir e chegar ao atual estágio da civilização.

Apesar de parecer qualidade inata, a resiliência pode ser adquirida. A tarefa é possível, mas exige determinação, objetividade e enfrentamento pessoal. O primeiro passo é tentar controlar as emoções para não sofrer estresse.

O controle emocional pode ser adquirido com as práticas de meditação. Nesse caso, deverá ser sempre precedida com o comando consciente do cérebro de que em situações de risco ou pressão, a conduta adotada será a da serenidade, seja qual for a gravidade da situação.

O início do processo de controle emocional pode parecer difícil, pois em muitas tormentas a impressão que temos é que vamos enfrentar um monstro invencível, ou que somos pequenos demais para suportar a pressão que se apresenta. A melhor solução é, então, procurar acostumar com o desafio.

Se o problema a ser enfrentado é o câncer, uma das técnicas é criar uma criatura imaginária como um animal feroz que nos ataca. Assim, será possível identificar o inimigo como algo concreto, palpável e real, considerando que essa doença é invisível, silenciosa e às vezes sem sintomas, até ser detectada em exames.

Como o cérebro não identifica o câncer, uma vez diagnosticada a enfermidade, é preciso dizer ao cérebro o seguinte: “existe um monstro ameaçador que não consigo ver, mas a partir de agora vou dar uma forma a esse monstro, para que seja visível e possa ser combatido dia após dia”.

É preciso criar uma figura fictícia, como uma fera que está prestes a nos atacar e que nos devorará se nada fizermos, pois o nosso cérebro entende que a fera é real e representa perigo. Se pensarmos que seremos atacados por um leão enorme, mas que vamos enfrentá-lo com bravura, nosso cérebro começará a se preparar para a batalha, por causa do instinto de sobrevivência.

Nos primeiros momentos da luta, parecerá que somos pequenos diante do oponente. Porém, depois de dois ou três dias olhando e avaliando o monstro, ele nos parecerá mais familiar e menos ameaçador. É o momento, então, de crescer espiritualmente, de procurar nivelar as forças para vencer o desafio. As pessoas que assim agem normalmente são vencedoras, porque passam a ter familiaridade com o inimigo, que não mais assusta.

Construir ou melhorar técnicas de resiliência não é tarefa difícil, mas exige perseverança. Aliás, as pessoas com câncer têm poucas opções, a não ser perseverar na esperança da cura. A simples esperança, aliada à determinação do doente de ser forte, resistente e combativo frente à doença já é uma poderosa arma contra o inimigo.

Crença em Deus, esperança de um futuro sem doenças e resiliência são recursos que aproximam o doente da cura, mas tudo deve ser construído com obstinação. Em situações assim, pessoas próximas são fundamentais para incentivar quem necessita de ajuda. Assim, são criadas energias positivas que produzem verdadeiros milagres.

 

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