A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade”, Carlos Drummond de Andrade.

É verdadeira a afirmação do poeta de que existem forças que não usamos e, principalmente, que procuramos nos esquivar do sofrimento. Isso é natural do ser humano, porque está no instinto de sobrevivência a regra de enfrentar ou fugir. É mecanismo de preservação que vem desde a pré-história e está enraizado em nossa mente.

Muitas vezes é mais fácil fugir. Enfrentar algo exige esforço, determinação e desgastes. Podem ocorrer perdas para alcançar os objetivos. Então, aparentemente é melhor esquivar do sofrimento do que combater o problema. As duas opções, porém, devem ser fruto de nossa escolha consciente.

Combater o câncer, como se sabe, é luta que só se inicia após o seu diagnóstico, ou então, com exames preventivos. Diferentemente de outras enfermidades, o câncer é silencioso. Por que é assim? É assim porque o nosso cérebro aceita as células doentes.

Quando existe infecção, nosso próprio organismo detecta o “corpo estranho”, seja vírus ou bactéria, e produz febre como sinal de alerta e combate. Assim, o inimigo é visível e mesmo que não desejemos, nossa mente inconsciente inicia o combate.

É desafiador lutar contra tudo aquilo que não se vê ou que é abstrato num primeiro momento. Ao aceitar como normais as células de câncer, nosso cérebro dá a seguinte ordem ao corpo: “nada faça, não temos inimigos”. O comando cerebral errado só é desfeito quando a doença domina quase todo o corpo, sob a forma de metástase. Então, dores fortíssimas dão o sinal de alerta. Mas aí quase sempre é tarde.

O câncer não é um inimigo qualquer. Por isso, exige várias estratégias para ser derrotado. O início da luta deve ser consciente e muito bem planejado. Reverter a passividade cerebral em relação à doença é passo decisivo para a superação.

Entre as estratégias, a prática de rituais demonstra poder impressionante, porque eles revertem os comandos de passividade cerebral e deixam o cérebro ativo no combate à doença. Rituais são praticados desde as eras mais remotas da antiguidade. E funcionam. Talvez de forma intuitiva, o homem das cavernas praticava vários rituais para vencer inimigos.

A mente humana atende aos comandos dados pelo nosso consciente, pois o pensamento fixado na mente consciente é automaticamente transferido para o inconsciente, que se encarrega de processar as etapas para a ação concreta e alcançar nossos objetivos. A força do ritual manifesta-se no princípio da transferência da determinação consciente para a inconsciente, de maneira a produzir o resultado que esperamos.

A prática é poderosa, porque torna consciente no cérebro das pessoas o que é inconsciente, como no caso do câncer. Dessa maneira, o próprio cérebro, sabendo o que deve ser combatido, e descoberto o inimigo, dá ordens à mente inconsciente para iniciar o combate. Iniciado o processo inconsciente, tudo será usado como forma de vencer a doença.

Durante o tratamento do câncer, quase todos os doentes e pessoas próximas rezam muito. Orações são os rituais humanos mais comuns, pois expressam a fé, a crença em dias melhores e na superação de dificuldades. Qualquer culto religioso é ritual praticado normalmente e existem provas que funcionam para trazer paz, equilíbrio emocional e espiritual.

Rituais exigem concentração e movimentos pensados e até ritmados. Funcionam como um contrato que a pessoa celebra com ela mesma. Faz parte dos desejos de realização de vida melhor. E ficam retidos na memória, a ponto de transformar para melhor a própria pessoa.

A determinação de pessoas com câncer deve ser inabalável. A certeza de que a doença será vencida deve ser repetida diariamente. Ao acordar de manhã deve ser feito o primeiro ritual, da seguinte forma: “Hoje vou acrescentar mais um dia espetacular em minha vida. Serei vitorioso. Meu cérebro retomará meu corpo sadio. Nenhuma célula doente sobreviverá. Terei força e ficarei curado em breve”.

Nas refeições o ritual também deve ser feito: “Esses alimentos representam saúde. Cada partícula se transformará em substâncias que matam o câncer. Meu organismo absorverá todos os nutrientes para que eu tenha uma excelente saúde. Meu cérebro irá me ajudar nessa tarefa.

No horário do banho, outro ritual: “Meu corpo está se livrando de células doentes. Cada gota que cai de meu corpo leva uma célula doente. Só ficarão as células saudáveis”.

Ao caminhar: “Cada passo que dou joga fora uma célula doente. As vibrações de meu corpo ao caminhar são sadias. Sou um ser humano que está no caminho da cura”.

Ao respirar: “Estou absorvendo células sadias toda vez que entra ar nos meus pulmões. Todo o ar que sai de meus pulmões leva uma célula doente”.

O ritual mais importante de todos é o do momento da quimioterapia ou da radioterapia. Nesses momentos, a luta é frontal. O doente está frente a frente com o inimigo. Por isso, o cérebro tem melhores e maiores oportunidades de identificar o inimigo para combatê-lo, porque substâncias estão sendo aplicadas no corpo. “Meu corpo está recebendo elementos concretos de cura. Meu cérebro irá dar ordens ao corpo para aproveitar todas as partículas para a cura. Sairei dessa sessão de cura muito mais fortalecido. Tenho a certeza da cura”.

A decisão de lutar contra o câncer é escolha feita intimamente. Fugir também é decisão pessoal. Nas duas situações, pessoas próximas e queridas desempenham papel fundamental. Aqueles que escolhem fugir às vezes se arrependem da decisão. De forma contrária, quem decide lutar raramente se arrepende. Eu não me arrependi por lutar. Existem possibilidades infinitas de vitória. Escolha a melhor para você.

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