No último texto abordei a e relação entre o sono e o inconsciente e recebi vários comentários sobre o assunto, ou seja, o tema despertou a atenção de várias pessoas.

Como planejado, dou continuidade ao mesmo tema. Mas reafirmo que apenas relato experiência pessoal extremamente positiva.  Dessa maneira, este texto não tem caráter científico, pois seriam necessários estudos reiterados para ter o aval da ciência.

O que afirmo categoricamente é que a minha experiência no combate ao câncer foi vencedora, entre outras razões, pelo tratamento médico adequado e eficaz, aliado às terapias alternativas que relato no livro “O templo dos guerreiros”. Tais terapias foram espetaculares, porque tive a oportunidade de aprofundar os mecanismos cerebrais que melhoraram a minha qualidade de vida durante o tratamento e, com certeza, também auxiliaram a caminhada para a cura.

Neste artigo a minha proposta é apresentar outros caminhos que podem facilitar o acesso ao inconsciente, com técnicas mais aprofundadas dessa enigmática relação entre a mente consciente e a mente inconsciente.

Todos nós temos momentos impensados, que normalmente chamamos de intuição. Exemplos: muitas pessoas relatam que pensavam em um amigo quando o celular tocou. Inacreditavelmente era o amigo lembrado segundos antes.

Outra situação semelhante é quando estamos na rua e, sem nenhum motivo, mudamos nosso trajeto e encontramos com alguém querido que não víamos há muito tempo. Nesses casos, costumamos dizer: “mas que coincidência”.

Muitas coincidências são produzidas pelo nosso inconsciente. Caso interessante foi relatado pela imprensa e estudado por especialistas nos Estados Unidos, quando um ladrão invadiu um apartamento. Muito educado, prendeu a dona do imóvel no quarto, sem trancar a chave. Anunciou que iria roubar e não faria mal a ela. Não havia motivos para desconfiar. Mas quando ouviu o assaltante abrir as gavetas da cozinha, saiu correndo e fugiu. Preso, o bandido foi identificado como o psicopata que conseguia a confiança das vítimas, mas que as matava com facas de cozinha. De acordo com os cientistas, foi o inconsciente que alertou a mulher para a fuga e possibilitou a prisão do ladrão.

O neurocientista Leonard Mlodinow, no livro “Subliminar – Como o inconsciente influencia nossas vidas”, Editora Zahar, afirma que por trás do pensamento consciente age uma parte desconhecida de nossas mentes. Ele exemplifica que até mesmo a gorjeta que damos ao garçom pode ser decidida pelo inconsciente, que dita as nossas preferências por pessoas, lugares ou coisas.

Curiosamente, algumas práticas milenares podem facilitar o nosso acesso ao inconsciente. Percorri um caminho interessante para comprovar que realmente funcionam. Todas elas têm relação direta com a respiração. São elas:

Respiração diafragmática

Também chamada de respiração profunda. É o modo correto de respirar. Nascemos respirando corretamente; depois, com o passar do tempo, nossa respiração se torna mais curta, principalmente em momentos de estresse. Assim, diminui o volume de oxigênio no nosso cérebro, prejudicando as nossas vidas sem que notemos.

Na respiração diafragmática, o diafragma se expande e leva o ar rico em oxigênio até o abdômen (barriga). Por meio dessa técnica conseguimos aumentar bastante a nossa capacidade volumétrica dos pulmões, até mais que o dobro.  Dessa maneira, todo o nosso corpo fica mais oxigenado, inclusive o cérebro.

Com o cérebro mais oxigenado, temos mais facilidade para acessar a nossa mente inconsciente por meio da meditação.

A respiração diafragmática pode e deve ser utilizada pelas pessoas em ocasiões de tensão e estresse. É simples dominar a técnica. Se em uma reunião de trabalho o clima estiver tenso, uma simples saída para o banheiro, por exemplo, pode ser útil para praticar a respiração e aliviar a tensão. Em dois ou três minutos de prática é possível reverter totalmente a ansiedade e as tensões.

Também é um importantíssimo recurso para quem tem dificuldades para dormir e até para aliviar ou eliminar a síndrome do pânico.

A técnica da respiração diafragmática

1. Procure uma posição confortável, sentado ou deitado.

2. Se estiver deitado, coloque um livro ou algum objeto leve pouco acima do umbigo.

3. Se optar por ficar sentado, coloque a mão na barriga, próxima ao umbigo.

4. Feche os olhos e concentre-se na respiração.

5. Respire pelo nariz, encha os pulmões de ar, levando-o até a barriga. Por isso, é importante ter um objeto sobre ela. O livro, por exemplo, deverá subir e descer naturalmente com a respiração.

6. Procure não encher somente o peito de ar. É preciso sentir que o ar está expandindo a barriga. Observe como ela se movimenta. Imagine que está enchendo uma bola de ar dentro de sua barriga.

7. Ao inspirar, conte até cinco para que o pulmão e a barriga fiquem expandidos.

8. Expire pela boca contando até dez, até esvaziar totalmente o pulmão e a barriga.

9. Repita a respiração por dez vezes ou mais.

É possível que fique tonto ou enxergue “bolinhas” ao abrir os olhos. Isso é normal, porque o cérebro recebe mais oxigênio do que está acostumado. Porém, a prática constante faz o desconforto desaparecer. Por isso, é importante repetir o exercício várias vezes, até que não tenha mais a sensação de náusea.

Boa opção é praticar a respiração pelo menos uma vez ao dia. Dessa forma, em momentos de necessidade, o seu organismo estará acostumado a utilizar a técnica automaticamente.

Para saber mais sobre as técnicas da respiração diafragmática consulte o site http://psicologiacomportamental.net/2011/03/26/aprendendo-a-respiracao-diafragmatica e assista ao vídeo.

Meditação

Já está provado cientificamente que a respiração correta tem o efeito de acalmar a mente e relaxar a musculatura.

Em práticas como a meditação e a ioga, a respiração correta é o princípio básico para obter o equilíbrio corporal, mental e espiritual.

Na cultura ocidental, porém, é muito comum ouvir pessoas dizendo que não conseguem meditar de forma alguma, pois a mente sempre é tomada por pensamentos involuntários, sobre os quais elas não possuem nenhum controle.

O erro é pensar que a meditação não é possível.

O ser humano, ao mandar a mensagem para o cérebro de que é impossível meditar, faz mais que afirmar a si mesmo a sua incapacidade.

Faz mais e pior, porque dá o comando ao cérebro de que é impotente para respirar calmamente.

Assim, o cérebro irá consolidar o entendimento que possui tal limitação e a meditação será impossível de acontecer.

Se em situações de tranquilidade as pessoas se dizem incapazes de conviver com a respiração serena, em meio ao caos será pior ainda.

Existem mais de seis mil métodos de meditação identificados. Com número tão elevado, é possível afirmar que todas as pessoas meditam em vários momentos de suas vidas. Por exemplo, quando estão rezando.

Somente no livro “A bíblia da meditação”, Editora Pensamento, Madonna Gauding expõe 220 métodos de meditação. Usei um deles, a meditação do labirinto, como forma de superação do câncer. Foi uma experiência impressionante e eficaz.

Meditar é o estado de relaxamento físico, mental e espiritual. É o momento que o ser humano se encontra consigo mesmo e desfruta de sua paz interior. É o instante no qual os problemas que nos afligem são tratados de maneira acrítica. É o ponto em que as emoções estão serenadas e a mente está com menos atividade.

A meditação traz o ser humano para o seu centro, para o mais íntimo de seus encontros pessoais, isto é, para a paz e a harmonia.

Todos os métodos de meditação iniciam com a respiração lenta, ritmada e com o relaxamento corporal. Nunca diga: “não consigo meditar”, porque o cérebro vai entender que você tem uma limitação e não permitirá a meditação.

A característica comum entre as várias técnicas para meditar é que a respiração é fundamental.

Então, o cérebro não deve ser maltratado porque muitos de nós achamos que não conseguimos meditar.

O primeiro passo é acreditar que é possível meditar.

A respiração promove o equilíbrio mental e corporal.

A partir do equilíbrio, as ideias para superar os problemas começam a fluir com mais naturalidade e intensidade. É nesse ponto que o nosso inconsciente começa a identificar nossos problemas e inicia nossos impulsos para a solução, que muitas vezes se revelam como “boas coincidências”

Respirar é relativamente simples, porque é uma das necessidades vitais para os seres vivos e é feita mecanicamente.

O cuidado que se exige para ter a eficácia ao respirar, com vistas à meditação, é ter o local adequado, silencioso e que permita posição confortável.

A pessoa pode ficar sentada, deitada ou mesmo de pé.

O importante é sentir a entrada e a saída do ar dos pulmões, de maneira a afastar os

pensamentos recorrentes do cérebro.

De acordo com os cientistas, é impossível ficar sem pensar. No entanto, pessoas experientes na arte de meditar relatam que a sensação de vazio no cérebro é muito nítida e prazerosa.

Certo é que o equilíbrio e a esperança na maioria das vezes são obtidos ao meditar, independentemente da sensação, ou não, de pensamentos conscientes.

Não existe fórmula única para meditar. O princípio de tudo é adotar posição física confortável, que pode ser sentada com a espinha ereta, e até a posição deitada. O importante é sentir a respiração lenta e profunda.

Minha prática

Sempre que tenho problemas recorro às meditações. A prática da respiração correta sempre ajuda. Descobri que a minha conexão com o inconsciente está muito fácil e isso se tornou hábito.

Há um problema a ser superado pelas pessoas: a disciplina. Como os resultados positivos podem ser rápidos, ou demorar um pouco mais, há gente que desiste de persistir na prática da meditação se algo não sair como planejado. É um erro frequente. Por isso, no próximo texto, abordarei o valor da disciplina, como forma de estimular as pessoas a perseverarem na prática da meditação, com vistas a aproveitar melhor os benefícios do inconsciente.

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