No decorrer da vida, talvez por força dos costumes, temos a oportunidade e permitimos a nossa destruição parcial, muitas vezes.

São muitas as “mortes” escolhidas por nós mesmos. Toda vez que escolhemos maltratar nosso corpo, dormindo menos que o necessário, por exemplo, é estabelecido o conflito entre o nosso instinto de sobrevivência e o nosso desejo de viver melhor.

É como se morresse uma parcela nossa, pois, em tese, nosso tempo de vida estaria sendo reduzido em função de atitude inadequada.

No mundo atual a velocidade se impõe. Tudo na sociedade está acelerado. Há exigências de produção industrial e intelectual no menor tempo possível. Os processos de criação também estão cada vez mais aprimorados e perdem a validade em pouco tempo. Isso ocorre por causa da era digital.

O grande ganho proporcionado pelo uso generalizado da informática é conquista irreversível do homem. Porém, as novas tecnologias exigem resultados imediatos, que são absorvidos pela mente humana automaticamente. E extrapolados para todas as áreas de nosso comportamento.

Com a exigência de respostas mais ágeis sobre quase tudo o que queremos e fazemos, surgiu a supervalorização do sistema rápido de recompensa, isto é, receber determinado “prêmio” por nossas ações quase que instantaneamente.

Hoje, temos condições de comemorar a nossa conquista em menor tempo e partir para o próximo passo, com a mesma expectativa de realização ágil.

O ciclo é interminável. Entretanto, exige muito esforço, porque desrespeita o ritmo humano praticado desde os tempos remotos.

Os comportamentos autodestrutivos estão atados ao sistema rápido de recompensa. Dormimos menos para desfrutar o prazer noturno de assistir filmes, dançar, jogar, acessar a internet e outros intermináveis prazeres.

A “mania” de recompensa acelerada pode se tornar vício, como beber ou fumar, que são grandes exemplos de autodestruição. Bebemos e fumamos para aliviar a tensão. Logo, o prêmio é quase imediato.

Os pequenos maus-tratos, no entanto, nem são notados, como as refeições sem substância alimentícia, fast foods, vida agitada e desregrada.

Tudo aquilo que fazemos normalmente por impulso e para seguir a “onda” da moda social costuma nos prejudicar fisicamente.

Com nosso corpo físico sendo prejudicado sistematicamente por atos pequenos, mas frequentes, a mente se desorganiza.

Com a desorganização mental, o metabolismo deixa de produzir os hormônios e outras substâncias necessárias ao corpo, causando desequilíbrio orgânico.

O espírito também se enfraquece com nossas posturas autodestrutivas. Nesse quadro de dificuldade, podem acontecer as doenças e as dificuldades de relacionamento com as pessoas.

Mesmo que não aconteçam enfermidades, os estragos, aparentemente pequenos de um ou outro excesso, informam ao conjunto do corpo, mente e espírito, que o instinto de sobrevivência não é tão importante. A partir daí o caos pode se instalar.

Exemplos não faltam: alcoólatras, dependentes de drogas, depressivos que não querem ajuda, viciados em medicamentos, sedentários e desregrados fazem parte de todas as sociedades.

Em maior ou menor grau, todos nós causamos algum prejuízo em relação à nossa sobrevivência.

Na maioria das vezes fazemos isso inconscientemente, apenas para ter autoafirmação e parecermos integrados à nossa cultura.

Não quer dizer que tenhamos de manter uma vida sempre regrada e sem permissões para descontrair e tomar um pouco mais de bebida alcoólica em ocasiões festivas, por exemplo. A vida assim seria insuportável.

O grande desafio é adquirir a consciência do que nos afeta negativamente e estabelecer nosso próprio limite para não nos maltratarmos.

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