Coragem é resistência ao medo, domínio do medo, e não ausência do medo.” (Mark Twain)

 

Entrei no labirinto para vencer o câncer, permaneci nele procurando caminhos alternativos, mas saudáveis. Errei e tentei diversas vezes. Saí do labirinto com mais energia e vitalidade.

Não obtive apenas luz para iluminar o caminho, mas também adquiri sabedoria nas trilhas pelas quais passei.

Conviver com o medo durante o tratamento de câncer é muito comum entre os doentes. A doença é traiçoeira, deixa frágil o corpo e a mente. Provoca sensações ruins, agravada pelos medicamentos ou radiações, que são muito agressivos.

A sensação é de desordem e de falta de rumo. O labirinto, nesses momentos, é exercício imaginário que proporciona escolhas racionais e até mesmo emocionais sobre as decisões que devem ser tomadas.

Aceitar que temos caminho a percorrer, sem saber ao certo o destino, é estimulante para algumas pessoas e desalentador para outras.

Cada um de nós carrega uma experiência única de vida. Temos o comportamento moldado pelas regras sociais e por nossas crenças.

São nas horas de dificuldade que as pessoas possuem fé maior, são mais esperançosas, mas também costumam ter medo paralisador.

Mark Twain foi sábio ao dizer que “Coragem é resistência ao medo, domínio do medo”. Pois essa coragem pode ser adquirida durante o percurso do labirinto.

Da entrada inicial por nós imaginada, nos corredores incertos do labirinto, podemos aos poucos ter mais e mais coragem. Aqueles que enfrentam os desafios frequentemente têm sucesso.

A situação parece complexa: adquirir coragem, ter resistência e dominar o medo, juntar forças para seguir adiante e ter a certeza de encontrar o caminho da cura. Ou melhor, que o doente irá assimilar medicamentos e radiações e que assim se livrará da enfermidade.

A cada meditação, três vezes ao dia, eu passava por corredores do meu labirinto. Minha respiração sempre foi lenta, embora às vezes houvesse medo do fracasso. Nesses momentos, eu interrompia a meditação e iniciava tudo de novo, esforçando-me para afastar a insegurança e retomar o caminho.

A disciplina que tive foi fundamental diante do labirinto. Havia momentos de muita fadiga, mas interiormente eu estava programado para “curtir” aquele cansaço. Assim, eu não resistia à fraqueza física. Ao contrário, eu me entregava totalmente para descansar.

Os períodos de fraqueza eram tréguas no labirinto. Não havia pensamentos positivos ou negativos. Simplesmente deixava o tempo transcorrer, sem preocupações. Eram momentos curtos.

Nossa sociedade ocidental nos ensina a ser ativos quase o tempo todo. Mas nem sempre deve ser assim. Precisamos de tempo para não resistir a determinadas situações, ainda que esse tempo seja muito efêmero.

Foi no labirinto que compreendi a lenda da ave fênix, que renascia das próprias cinzas. Aos momentos de debilidade se sucediam as recuperações de energia.

A força parecia brotar do nada. No início eu achava isso esquisito, mas depois percebi que quando nos entregamos à fraqueza somos mais humanos e nosso espírito nos recompensa com a restituição de nossas forças.

No meu labirinto imaginário havia corredores de fraqueza e de força, de coragem e de medo, alternando o estado de espírito constantemente.

Depois de certo tempo, compreendemos que a vida é assim mesmo, feita de altos e baixos, avanços e recuos. Esta compreensão foi decisiva para encontrar o caminho certo.

Depois do oitavo ciclo de quimioterapia ainda restavam 20% do tumor e a solução era a radioterapia. Ao fazer o balanço da caminhada até aquela fase descobri que o saldo era positivo. Terminei o último ciclo com mais energia física do que havia no início.

Naquele período eu já tinha a certeza de que sairia vitorioso do labirinto. Era quase uma diversão meditar no labirinto.

Passei a ser movido mais pela curiosidade do que existia no meu íntimo do que propriamente pelo desejo de vitória, que para mim já era consolidado. O grande ganho: eu me conheci melhor.

Para muita gente, ainda não é muito palpável a meditação no labirinto. Por isso, transcrevo integralmente o trecho do livro que fala sobre a técnica.

LABIRINTO:

A bíblia da meditação”, de Madonna Gauding. Editora Pensamento, página 202.

“A caminhada pelo labirinto era praticada na antiga Creta, no Egito, no Peru, na Índia e na Irlanda. Você caminha de forma meditativa por um percurso que corta para trás e para a frente, através de uma série de curvas e espirais até que chega ao centro.

Se você procurar um mecanismo de busca da Web, poderá localizar labirintos no mundo todo.

Muitas igrejas e centros de retiros têm labirintos permanentes em suas propriedades que são abertos ao público. Andar no labirinto ajuda você a conectar os hemisférios direito e esquerdo do cérebro, o que estimula o pensamento criativo e a solução de problemas. Enquanto percorre o caminho sinuoso do labirinto, você pode ganhar mais insight acerca de sua vida ou de um problema que está tentando resolver.

Benefícios:

– Ajuda você a encontrar o seu centro espiritual.

– Traz mais profundidade à sua oração.

– Ajuda você a resolver problemas.

Quando:

Pratique andar no labirinto sempre que quiser entender melhor a si mesmo ou chegar à essência de qualquer questão.

Preparação:

Localize um labirinto perto de você. Se não conseguir achar um, você pode meditar seguindo com o dedo o curso de um labirinto impresso.

Prática:

1. Posicione-se na entrada do labirinto e concentre-se num problema ou preocupação. Por exemplo, talvez você tenha que decidir sobre um emprego.

2. Enquanto entra no labirinto e começa a andar, explore o que você pensa sobre o problema. À medida que se aprofunda no labirinto, passe a meditar nos seus sentimentos acerca do problema. Que emoções surgem?

3. Continue em direção ao centro perguntando como esse problema afeta seu mundo material, suas finanças ou sua saúde. Depois pergunte como esse problema afeta sua vida espiritual.

4. Quando chegar ao centro, peça ajuda ao seu poder superior para resolver o problema. Mantenha-se em silêncio e veja o que emerge. Aceite isso sem julgamento. Se nada vier à mente, tenha paciência. Uma resposta pode chegar alguns dias mais tarde.

Anúncios