Outro dia, em programa de televisão, alguns estudiosos disseram que até o bater das asas da pequena borboleta monarca é capaz de mudar a vida na terra. Parece exagero, mas a explicação convence, porque ela tem importante papel como polinizadora e, assim, contribui para a reprodução de várias espécies.

A multiplicação da vida feita por uma única borboleta monarca surpreende pela desproporção entre o tamanho dela e a obra por ela deixada. Ao fim da missão de até nove meses, tempo de existência dessa criatura, inúmeras vidas se reproduzem por causa da polinização de plantas. Árvores imensas podem nascer da ação de uma única borboleta.

Se um minúsculo ser é capaz de provocar o movimento da vida, o que é capaz de fazer o ser humano que assume para si a tarefa de fazer o bem?

Sobre a bondade humana não é preciso falar muito, porque as casas, as ruas, as cidades, os países e o mundo todo estão repletos de pessoas de bom coração, que espalham boas ações a cada fração de segundo, durante séculos.

A humanidade foi forjada e evolui no bem, na solidariedade, filantropia, caridade e no altruísmo, pois com ajuda mútua é que se espalham as criações humanas.

Muito mais do que os sentimentos mesquinhos e perversos, carregamos em nosso interior a semente do bem, que “poliniza” a sociedade com correntes de bondade que nunca se rompem, mesmo que a maldade se mostre presente.

A natureza do ser humano, portanto, é boa. Não é preciso ser observador muito atento para concluir que a solidariedade está presente em nossas vidas em maior intensidade do que a maldade que mostra a face sombria.

Carregamos em nós o hormônio ocitocina, também chamado “hormônio do amor”. Antigamente, os pesquisadores achavam que ele era liberado exclusivamente pelas mães, principalmente na amamentação. Com o avançar da ciência, descobriu-se que todos temos ocitocina, que, mesmo que nos faça agir inconscientemente, nos leva a praticar a bondade e atos de amor.

Com impulsos e até mesmo a necessidade de nos sentirmos bons e úteis, são inúmeros os exemplos de amparo visíveis na sociedade moderna. O mundo hoje vive com menos guerras que no passado e a preocupação com as pessoas carentes é maior. Todo dia alguém se manifesta contra as desigualdades sociais. Enfim, o homem caminha para praticar cada vez mais atos de cooperação e solidariedade.

A doutora Zilda Arns, por exemplo, ao disseminar o uso do soro caseiro, amplamente utilizado em muitos países, deixou o legado de bondade ao salvar centenas de milhares de vidas, na maioria crianças desamparadas e pobres. Dessa forma, cumpriu a missão altruísta que tem e ainda terá efeitos surpreendentes, pois muitas das pessoas salvas também irão praticar a bondade. O ciclo, portanto, terá continuidade.

Ao refletir sobre a minha existência, concluí que fui beneficiado por incontáveis pessoas conhecidas e desconhecidas, que me auxiliaram em diversos momentos da vida. Alguém anônimo, que num momento de dificuldade estendeu a mão e me amparou. Todos nós temos exemplos assim.

Neste dia 12 setembro de 2014 o lançamento de meu livro “O Templo dos Guerreiros” completou um ano. Em comemoração à data, agradeço e faço homenagem às inúmeras pessoas de bom coração que estão espalhando ajuda, cooperação, amparo e auxílio àqueles que estão em dificuldade.

A corrente de bondade que propus no final do livro prosperou. A aceitação dos leitores foi muito além de minha expectativa e, como a borboleta monarca, “polinizou” de otimismo, fé e esperança mentes e corações.

Meu aprendizado foi a continuidade do pensamento de uma mulher inesquecível: Cora Coralina, por quem fui influenciado pela bela mensagem abaixo:

Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.

Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.

A bondade também se aprende, como diz a admirável escritora. Pude comprovar isso na prática. Mais do que isso: a bondade se espalha. Cada gesto de solidariedade tende a se multiplicar.

Um brinde à humanidade e à generosidade humana, pois a bondade é invencível. Assim Deus determinou.

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