Desde o nascimento o ser humano é escravo de pessoas, fatos, enfermidades, sentimentos, tempo, trabalho, sociedade, religião e de incontáveis outras situações.

Na maioria das vezes não temos consciência de que somos escravos durante a vida toda. É preciso observar e analisar nosso próprio comportamento para identificar de quem ou de que somos escravos, e decidir se devemos nos libertar.

Há pais que escravizam filhos, os quais fazem todas as vontades paternas e maternas. São filhos que sofrem e não conseguem se libertar da escravidão a que sempre foram submetidos.

Existem também pais escravos de filhos e até de netos. São pessoas que foram pobres no passado, mas com muito esforço acumularam posses e querem dar o melhor aos descendentes, que os exploram e chantageiam. São pais impotentes diante do egoísmo e insensibilidade de seus amados.

Certo homem, com mais de sessenta anos, conserva na fala e nos hábitos os modismos da cidade interiorana onde nasceu e viveu até aos quatorze anos de idade. Mesmo tendo mudado para a cidade grande e jamais voltado à terra natal, nunca abandonou a cultura da infância e adolescência. Por isso, não se importa em ser chamado de “caipira” na sociedade em que vive, pois sente-se bem como é.

Existem em abundância escravos do passado, de tempos felizes que nunca mais se repetirão. Há gente que vive no século XX, na década de 1950, e nem se dá conta disso. Alguns sofrem, outros revivem a época áurea e mantêm viva a lembrança. Por conta disso, não progridem no presente. São artífices da fantasia, pois vivem de histórias vividas. Há os que vivem do futuro que nunca chega. São escravos do que imaginam que vá acontecer, mas não se esforçam para sair dessa situação. Impossíveis são os casos de escravidão ao tempo presente que, fluido, irá se incorporar rapidamente ao passado.

Nelson Mandela foi escravo da liberdade. Preso durante 27 anos, ao ser solto voltou à escravidão da liberdade, e fez o que parecia impossível: libertou o povo sul-africano da discriminação que o oprimia. Não satisfeito, Mandela contagiou a sociedade com a sua escravidão de liberdade. Foi o guerreiro da paz que nunca se rendeu à escravidão do autoritarismo, como acontece com alguns líderes mundiais.

A escravidão à ganância desenfreada e sem escrúpulos impede o desfrutar de prazeres simples, porque normalmente se relaciona com o ganho de dinheiro, poder e bens materiais. É escravidão que esvazia o ser humano de humanidade.

Entre outras, como a dos relacionamentos doentios, existe a escravidão a que nos submetemos por livre vontade, fruto de nossas escolhas, que podem ser certas ou erradas. Fumar é escravidão que retira vida aos poucos, causa sofrimento e perda de dinheiro. Ainda assim, tem milhões de escravizados conscientes. Para alguns, a libertação do fumo não interessa, pois são convictos em destruir a própria vida.

E você, é escravo de quem ou de quê?

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