Sobre a ocitocina

É um hormônio produzido principalmente pelo hipotálamo, região do cérebro do tamanho de uma amêndoa, e é liberada diretamente no sangue pela glândula pituitária.

Qual é a função da ocitocina?

Inicialmente, pensava-se que a produção de ocitocina era exclusiva das mulheres no momento do parto, ao auxiliar as contrações uterinas, diminuir o sangramento durante o parto e estimular a liberação do leite materno. Assim, cria laços fortes entre a mãe e o bebê.

A ciência vem provando que esse espetacular hormônio não é exclusividade feminina. Homens também produzem ocitocina, quando possuem apego e empatia com outras pessoas e animais. Além disso, o hormônio estimula parte do prazer no orgasmo, é anti-inflamatório, protege o sistema cardiovascular de possíveis danos que podem ser causados pelo estresse, ao reduzir os níveis de cortisol (o chamado “hormônio do estresse”) e baixar a pressão sanguínea.

Recentemente, a revista Saúde é Vital, nº 390, maio de 2015, publicou artigo no qual cita pesquisas que apontam que a ocitocina protege o coração de lesões ao descongestionar artérias; estimula o bom funcionamento dos rins, porque elimina o excesso de sódio por meio da urina; auxilia na reversão da disfunção erétil; inibe o medo; abranda a fome; e atua positivamente durante e após a maternidade.

A ocitocina reestrutura neurotransmissores no cérebro, com o efeito de criar mudanças positivas. Por isso, tem sido classificada como o “hormônio do amor”, pois toda vez que é produzida e liberada estimula os sentimentos de amor, atração, carinho, proteção e bondade. Ao proporcionar excitação entre as pessoas, cria boas relações entre amantes e amigos.

A relação da ocitocina com a bondade

Além dos magníficos efeitos do hormônio para o ser humano, secretar a ocitocina é muito mais fácil do que as pessoas podem imaginar. Bastam boas intenções e praticar o bem com pessoas ou animais.

Toda vez que praticamos a bondade, ajudando material, psicológica ou dando conforto espiritual aos desafortunados, liberamos ocitocina. Por isso, é muito comum encontrar quem esteja “viciado” em fazer o bem. Existem centenas de milhares de pessoas que fazem espetacular trabalho de apoio aos carentes, enfermos e desvalidos.

A médica Zilda Arns certamente produzia ocitocina acima da média, porque a vida dela foi sempre dedicada a salvar seres humanos da miséria. Só com a disseminação do soro caseiro no Brasil e em outros países ela salvou da morte milhares de pessoas, na maioria crianças desamparadas e pobres, além de outras ações de bondade.

Se a ajuda for interesseira, na esperança de receber retribuição, certamente a ocitocina não será liberada e levará à frustração, porque o hormônio brota espontaneamente da alma, da intenção de aliviar o sofrimento que existe no mundo.

Ajudar por ajudar, por conseguinte, não traz benefício. É preciso envolvimento do coração, com o uso de toda a boa vontade, a fim de reverter as situações desfavoráveis dos infelizes. Só dessa forma a ocitocina jorrará abundantemente, criando um ciclo de afeto, amor, compaixão, solidariedade, amizade, amparo e felicidade mútuas entre os que ajudam e aqueles que são ajudados.

A ocitocina é a verdadeira substância das mudanças que causam benefícios. Existe somente no polo positivo da humanidade e é capaz de transformações gigantescas em momentos de reconstrução da humanidade. Assim aconteceu logo depois da segunda guerra mundial, quando a solidariedade “explodiu” sob a forma de ajuda humanitária para milhões de vítimas daquela crueldade. O pós-guerra foi transformador e fortaleceu o sentimento na humanidade de que aquele capítulo infeliz não pode ser repetido.

Felizmente, não temos hoje sofrimento da proporção da última grande guerra. Então, as ações devem ser individuais ou coletivas, mas sempre no sentido de ajudar.

Liberar ocitocina significa a liberdade e a libertação dos que dedicam a praticar atos de bondade. Tal comportamento não tem limites e não permite medir todos os benefícios, pois são incontáveis. Quem pratica o bem começa a se sentir cada vez melhor, com maior disposição física, bom-humor, leveza do corpo e da alma. A interação social fica mais intensa, cresce o nível de tolerância com o que chateia. A compreensão dos acontecimentos, sejam bons ou ruins, se dá em nível cada vez mais maduro, amenizando a aspereza da vida.

A influência dos animais na produção da ocitocina

A ocitocina é considerada a principal responsável pelo amor e carinho que damos aos animais; e que eles retribuem das mais variadas maneiras, seja manifestando alegria, brincando e nos acariciando ao demonstrar o quanto gostam de quem os acolhe.

Os cães atualmente ocupam lugar de destaque na sociedade, porque é amigo, fiel, brincalhão e desempenha funções como aliviar o estresse e proporcionar felicidade. Por causa do comportamento amistoso desperta em crianças, homens e mulheres sentimentos de bondade, que têm como consequência a liberação de ocitocina.

Já nas primeiras descargas da ocitocina forma-se uma relação natural de bem-estar entre os que ajudam e os que são ajudados, de bondade e agradecimento, de sensação de ser útil por acolher e ser acolhido. Assim se estabelece, por meio de um hormônio, uma engrenagem de solidariedade que costuma durar anos e até décadas. E que, ao longo dos séculos, amenizou instintos primitivos dos seres humanos, que tendiam sempre a dominar cada vez mais homens e animais.

Por que ocitocina pode curar?

Acompanhei a luta de muitas pessoas que lutavam contra algo mais forte do que elas. Ao observar o comportamento individual, percebi que algumas mulheres, espontaneamente e bem intencionadas, começaram a praticar a bondade durante o tratamento contra vários tipos de câncer. O que todas elas tinham em comum era a fé inabalável na cura e muito cuidado com o próprio corpo, mente e espírito. Por isso, não acreditavam nas soluções ditas milagrosas. Nunca usaram avelós, babosa, chá de folha de graviola e outras ervas que não curam.

Todas as mulheres seguiam as prescrições médicas cuidadosamente. Porém, aparentemente isso era pouco, porque desejavam mais. Desejavam ser úteis, mostrar que eram boas pessoas e que poderiam aliviar o sofrimento de outras pessoas ou animais, mesmo debilitadas pela doença. A história de cada uma delas é emocionante. Nos relatos a seguir são citados os seus comportamentos, sem identificá-las.

1º caso: agressivo de câncer de mama foi superado sem maiores traumas

Durante o tratamento de quimioterapia e radioterapia, a paciente descobriu que várias das pessoas que com ela compartilhavam a mesma luta estavam em situação muito pior que a dela. Isso a comoveu.

Ao ver tanto sofrimento, ela não teve dúvida: passou a apoiar com palavras, doações e carinho vários doentes. A bondade prosperou e saiu dos limites do hospital em que ocorria o tratamento. Como se formou uma corrente de bondade, os que eram ajudados passaram também a ajudar. Ocorreu, portanto, uma transformação na qualidade de vida dos doentes, que ficaram mais otimistas e fortalecidos.

Era visível a produção da ocitocina da benfeitora. Sempre sorridente, mesmo nos momentos de fadiga e fraqueza mais acentuada, encarava com naturalidade todos os desgastes pelos quais passou.

Impressionante e espetacular foi que o sistema imunológico dela se fortaleceu. Assim, muitos dos pesados efeitos do tratamento, como anemia e enjoo, não se manifestaram, proporcionando maior conforto durante o período de luta.

2º caso: a vitória sobre um grave linfoma

A perspectiva da quimioterapia deixava a enferma apreensiva. Por isso, com o início do tratamento foram aumentando os temores e a insegurança que ela tinha em relação à cura. Com a baixa da imunidade, por causa dos medicamentos, quase chegou à depressão. Porém, criava cães em casa e tinha muito amor e apego a eles. Um deles adoeceu, talvez por ver e sentir que a sua dona estava sofrendo.

Os cães são animais sensíveis que interagem intensamente com os seres humanos. Em alguns casos dominam os próprios donos, porque aprendem a manipular as pessoas que não se impõem a eles. A inteligência canina é realidade não só para agradar, mas também para compartilhar carinhos e guardar os donos e o lugar em que moram.

A doença do cão despertou a compaixão de sua dona, que passou a dedicar boa parte do seu tempo a tratar do animal. Dessa maneira, além de liberar altas doses de ocitocina, desviou a sua atenção do câncer que tinha. Assim, aliviou o fardo do tratamento quimioterápico, pois as suas energias foram direcionadas para abrandar as dores do cão.

Ao ter atividade diária, sempre dando carinho e com esperança na cura do animal, o medo do câncer foi de certa forma esquecido. Não havia tempo para o desespero. Nos momentos do tratamento, a mulher pensava no próprio futuro e no seu bicho de estimação. Com o cérebro ocupado permanentemente com a cura, com o projeto de ver realizar os seus sonhos, o tempo passou mais rápido que ela podia supor.

Quando a cura da doença maligna da mulher foi anunciada pelos médicos, a ocitocina por ela produzida já tinha sido renovada várias vezes. Resultado: o sistema imunológico estava fortalecido, a depressão que quase a abateu foi vencida.

3 º caso: como o amor de mãe auxilia no tratamento de linfoma

A jovem mãe de dois filhos pequenos tem o diagnóstico de linfoma. O tratamento é agressivo e combina quimioterapia e radioterapia ao mesmo tempo, enfraquecendo o corpo da mãe rapidamente. Com poucos recursos materiais e tendo que cuidar das tarefas de casa, o fardo se tornava um pesadelo.

Mas a ocitocina, que já fazia parte do cotidiano da mãe se multiplicou sob a forma de esperança na cura. Afinal, como ela poderia ver o futuro dos filhos? Nesse momento, o amor de mãe se manifestou sob a forma de energia. Era preciso passar o recado para os filhos de que ela era forte o suficiente para enfrentar a doença sem alterar a própria rotina. Então, com sacrifício, executava como sempre as tarefas diárias. Pessoas próximas diziam que a força interior daquela mãe era inacreditável. Como era possível aquela energia brotar de um corpo tão debilitado? Possivelmente em razão da ocitocina, o hormônio do amor na sua expressão mais bela, a de um amor de mãe.

O tratamento ainda continua, mas fase após fase, a mãe persistente continua acreditando no futuro dela e dos filhos. Será vencedora.

4º caso: o presente que curou um câncer de útero em estado avançado

O quadro clínico era aterrorizante. A previsão era de tratamento paliativo. Não havia chances. Até que, na tentativa de aliviar o sofrimento da esposa, o marido a presenteou com um cão. Iniciou-se, assim, um ciclo de geração de ocitocina sem limites, que teve como consequência a cura, mais ou menos como relatado no segundo caso. Mas há uma diferença: curada, a mulher atribuiu a sua determinação e força ao animal que recebera de presente, que a levou a mudar o próprio comportamento para melhor.

Hoje ela vive feliz com a sua atividade de proteção aos animais. Recolhe cães das ruas, trata-os e faz a doação deles a quem se disponha ter carinho por eles. A atividade continua a liberar ocitocina no seu organismo e também de outras pessoas que com ela interagem, pois a finalidade é proteger e dar carinho aos cães.

5º caso: Quando o tempo é superado pela força do amor

Este caso foi divulgado pela Abrale – Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia, edição 30, ano 7 – setembro/outubro/novembro de 2014 – e conta a impressionante e emocionante história de Zuila Dantas, que não se rendeu aos diagnósticos desanimadores e fez votos de que iria ver o futuro dos filhos. Assim aconteceu. Durante todo o tempo, o amor dessa mulher extraordinária esteve relacionado à produção de ocitocina que, com toda a certeza, fez diferença no propósito de vida dela e de seus familiares, num dos exemplos mais fascinantes que podem ser relatados.

Para conhecer a história, acesse as páginas 17 e 18, por meio do link abaixo:

http://www.abrale.org.br/web/uploads/files/REVISTA%20ABRALE%2030%20baixa.pdf

5º caso: a superação de uma vida sofrida

A moça tentava superar as agressões e os maus tratos sofridos da infância, supondo que ao se casar conseguiria ter filhos e, assim, ser feliz. Todavia, os planos fracassaram parcialmente, porque o relacionamento com o marido não deu certo. Com dois filhos pequenos recomeçou a sua luta em busca de algo que a realizasse e proporcionasse paz.

Já na idade madura, em cidade estranha, com boa saúde, ela se interessou por fazer trabalho voluntário em entidade que cuida de doentes carentes e com câncer.

Aquela opção de fazer a bondade aos necessitados se revelou, talvez, a melhor escolha da vida dela, porque ao confrontar a própria história de vida com a de outras pessoas, concluiu que não tinha sido tão desafortunada como pensava. Encheu-se de compaixão, e o amor ao próximo a levou a transformar para melhor a própria realidade e a de outras pessoas.

Hoje, a mulher forte que um dia decidiu se dedicar a uma causa humanitária consegue caminhar com firmeza e com objetivos que a realizam. O objetivo é espalhar o bem, fazer a caridade. Os níveis de ocitocina dela são elevados e servem de exemplo não só para os filhos, mas para a sociedade da cidade em que ela vive.

Entre vários bons sites disponíveis, vale a pena consultar:

https://www.epochtimes.com.br/ocitocina-o-hormonio-anti-estresse/#.VgnenOxViko

https://pt-br.facebook.com/CaoCarinho/posts/573411896086505

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