Fortalecer as boas intenções

Há dois mil anos prevalecia a lei de Talião, era “dente por dente, olho por olho”.

Até que Cristo, em território completamente hostil, pregou que “se lhe derem uma bofetada numa face, ofereça a outra face”. A revolução estava iniciada no mundo ocidental.

Outras culturas, mesmo antes de Cristo, também já pregavam a não violência. Porém, mudanças de comportamento, que destoam dos costumes, não são praticadas sem uma boa preparação.

A prática de alguns atos precisa de ambiente próprio. Perdoar, por exemplo, nasce de uma decisão pessoal, que pode ser tomada no ambiente adequado dos espaços sagrados, construídos pelo homem ou pela natureza, os quais incentivam a reflexão e a tomada da decisão.

Os comportamentos sociais não podem ser mudados abruptamente, porque causam conflitos, tal a estranheza dos atos, que provocarão repulsa nas pessoas que não estão acostumadas a eles.

No passado remoto, a maneira encontrada pelas pessoas para planejar secretamente seus atos eram as reuniões. Os encontros precisavam acontecer às escondidas, para evitar a repressão. Mesmo quando havia boas intenções, as perseguições ocorriam.

Ao buscar os bons propósitos, naturalmente Deus era invocado para proteger aquelas pessoas. Os rituais eram sagrados, os locais também eram abençoados. Assim, o fortalecimento das boas intenções acontecia.

O efeito e as consequências positivas das práticas em templos eram frequentes, assim como acontece hoje. Portanto, quem deseja se fortalecer para alcançar seus ideais precisa de ambiente adequado, seja na própria residência ou em outros locais reservados para tal finalidade.

Aproximar o homem de Deus

Há uma corrente de pensamento que apregoa que cada ser vivo, cada molécula e partícula deste universo é uma parcela de Deus.

A nós, humanos, com o dom da inteligência, foi reservado um espaço interior, no qual Deus habita. Ou seja, Deus está presente em cada um de nós porque somos uma parcela Dele.

Se Deus está em nós, nosso corpo é um templo, porque o sagrado vive em nosso interior.

Muitas culturas pregam que não precisamos procurar por Deus fora de nós. Basta termos a prática da oração e da meditação para fazermos contato com o divino.

Cada um de nós tem uma consciência que não nos dá a plenitude de nosso ser, pois é comum termos reações que não conhecemos.

Arrependemo-nos de coisas que fizemos. Temos comportamentos irracionais e adotamos, às vezes, estilo de vida que nos faz mal.

Segundo o neurocientista Daniel Eagleman, no livro Incógnito, Editora Rocco, 2011, o ser humano vive sem se conhecer. Diz ele que o autoconhecimento é utópico, pois é o nosso inconsciente que rege a nossa vida.

É preciso acreditar, no entanto, que temos boa parcela de controle sobre nós mesmos e procurar sempre o autoconhecimento.

Parece haver mesmo algo muito estranho em nossas vidas. Muitas vezes percebemos que somos guiados de forma contrária à nossa vontade, tanto para o bem quanto para o mal.

Procuramos escolher com critérios. Muitas vezes acertamos, outras vezes erramos. Temos uma consciência e um inconsciente que nos leva a decidir.

Algumas pessoas argumentam que se Deus estivesse presente em nosso interior não cometeríamos erros e seríamos sempre bons.

Por que não conseguimos ser bons sempre? Por que erramos?

Erros e acertos fazem parte do propósito de Deus para que encontremos o equilíbrio de que necessitamos. Dessa forma, poderemos evoluir o nosso espírito.

Há um permanente equilíbrio de forças no universo. Por isso, o bem e o mal estão sempre em conflito. E quem vence? Às vezes o bem, às vezes o mal.

Por mais que nos esforcemos para ser 100% bons nunca conseguiremos esse ideal. Até mesmo porque podemos pensar que fazemos o bem a determinada pessoa, mas essa pessoa pode achar que não a ajudamos.

Conta-se que um velho índio disse ao neto: “dentro de mim vivem dois lobos, um bom, compassivo, tolerante e bondoso; e outro lobo, perverso, egoísta e traiçoeiro. E qual deles ganha? perguntou o neto. Aquele que mais alimento, respondeu o avô”.

Assim somos nós, alimentamos nossas tendências de bondade ou maldade, mas não temos total controle sobre elas.

O estímulo às boas práticas deve ser constante em nossas vidas. Cada vez que tentamos ser melhores, engrandecemos a humanidade e a nós mesmos.

Não sejamos colaboradores do mal. Se não acertarmos, teremos a oportunidade de nova chance e assim não incentivaremos o mal.

Apesar do eterno conflito interior do homem, nosso corpo pode ser considerado um templo. Devemos, por isso, tentar nos aproximar de Deus, respeitando nossos limites físicos, tratando bem cada órgão e membros corporais.

Como quase ninguém enxerga nosso corpo como um templo, vivemos sem nos preocupar de que nele existe ainda, uma mente e um espírito, que se interagem e determinam o nosso modo de viver.

Anúncios