Não tenho diploma de médico nem conhecimentos profundos sobre o câncer. Mas fui vítima de linfoma não Hodgkin difuso de grandes células B, grau 2 (mediastino e pescoço) e vivi o tormento pelo qual as pessoas passam ao deparar com todo o tipo de câncer. Por isso, pela terceira vez neste blog apelo aos doentes e seus parentes para que amem a vida e não acreditem que somente a fosfoetanolamina irá salvar vidas. Essa droga, ainda reprovada pelos cientistas e médicos, quando usada isoladamente, sem o tratamento convencional de quimioterapia e radioterapia, pode provocar a perda de muitas vidas.

A esperança na cura do câncer provoca efeitos devastadores na sociedade. A onda provocada pela descoberta da enfermidade é imensa, e atinge dezenas de pessoas que sofrem ao mesmo tempo, a começar pelos pais filhos, irmãos, primos, tios e em outros graus de parentesco e afins. Chega a chocar e causar sofrimento em amigos, colegas de trabalho, de sala de aula, companheiros de práticas esportivas… Há muita solidariedade com o doente, pois todos tentam ajudar, mesmo sem conhecer quase nada sobre a doença. Isso representa sério risco de perda de vidas.

Perdi as contas de quanta gente indicou soluções milagrosas para que eu me curasse. Recebi grande número de mensagens recomendando práticas e uso dos mais esquisitos e impensáveis recursos. Até tive simpatia pelo uso do suco de graviola, que me trouxe algum alívio.

A questão é que apostei sempre na medicina e nas recomendações médicas. Fiz oito sessões de quimioterapia e vinte sessões de radioterapia, além de práticas integrativas, baseadas em meditações e técnicas de otimismo, que me proporcionaram melhor qualidade de vida durante o tratamento.

Para minha tristeza, vi muitas pessoas sucumbirem ao deixar o tratamento convencional para usar “porcarias”, como cito neste blog, no texto “Muito cuidado com Avelós, babosa, bicarbonato, folha de mandioca, graviola e folhas, fosfoetanolamina…” acesse:

https://otemplodosguerreiros.wordpress.com/2015/01/08/muito-cuidado-com-avelos-babosa-bicarbonato-folha-de-mandioca-graviola-e-folhas/

Infelizmente, o modismo atual é a fosfoetanolamina, cuja liberação para uso foi fruto de ações irresponsáveis do Poder Público, que editou até lei, em vigência, autorizando o uso mediante certas condições. É uma pena, porque irá induzir muitos doentes ao tratamento com esperanças não realistas de cura.

Posso afirmar categoricamente que a liberação da droga foi irresponsável pelos seguintes motivos:

  1. A fosfoetanolamina não passou nos testes iniciais para ser aprovada como remédio. Basta conferir em vários sites na internet e nos links:
  2. a) http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/03/fosfoetanolamina-testes-iniciais-apontam-baixo-potencial-contra-tumor.html
  3. b) http://carlosorsi.blogspot.com.br/2016/03/primeiros-testes-fosfo-da-usp-nao.html
  4. O Conselho Federal de Medicina (CFM), apesar da lei aprovada, não recomenda a incorporação da fosfoetanolamina na relação de medicamentos de combate ao câncer. Confira: http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=26100:2016-04-14-19-57-54&catid=3
  5. Vários médicos, como o Dr. Dráuzio Varella, se manifestam contra o uso da droga. Acesse o vídeo no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=LPnVqs0_0Z0.
  6. Diante do fracasso nos testes iniciais da fosfoetanolamina como medicamento já é cogitada a venda da droga como suplemento alimentar. Porém, já existem comentários na internet alegando que ela já é usada em outros países como suplemento de cálcio. É preciso averiguar, todavia, a veracidade das informações. Um bom ponto de partida é o acesso ao link https://www.facebook.com/drgvilela/posts/1085668321452323:0.
  7. Não devemos acreditar nas várias possíveis curas atribuídas a fosfoetanolamina e relatadas amplamente nos meios de comunicação e internet. Para comprovar a eficácia deveriam ser estudados cientificamente os casos anunciados. Só então alguma comprovação formal teria valor para aplicação aos demais casos. Atualmente, não existe tal comprovação.
  8. Finalmente, não há um remédio milagroso que cure todos os tipos de câncer. Só o tipo de linfoma que tive, não Hodgkin, possui mais de 20 subtipos, como informa o Instituto Nacional de Câncer, do Ministério da Saúde. Confira em http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=457

Diante do câncer as fragilidades humanas se manifestam intensamente. O melhor a fazer é acreditar nos médicos e na medicina convencional. Fazer experiências com tratamentos alternativos, ditos milagrosos, é correr riscos sérios, que poderão causar mais que tristeza ao deixar órfãos desamparados, pais sem filhos…

Anúncios