Cura e cirurgias espirituais estão em evidência nos últimos anos. O tema tem sido cada vez mais comentado, publicados textos e artigos na imprensa. Além disso, existem centenas, talvez milhares de relatos de pessoas que se dizem curadas de doenças graves, como o câncer, atribuídas a esses fenômenos espirituais.

Não basta acreditar que a cirurgia espiritual, muitas vezes realizada a milhares de quilômetros, curou alguém, definitivamente, de alguma enfermidade física grave. As pessoas querem ouvir as experiências bem sucedidas. E os relatos existem em abundância.

Fechado o ciclo das práticas espirituais com os depoimentos, cria-se uma onda energética que faz com que cada vez mais pessoas procurem os mestres e conselheiros espirituais que fazem tais cirurgias. Assim, torna-se crença e, às vezes até mito.

De igual maneira, os milagres também são relatados por incontáveis praticantes de diversas religiões. São tantos que, ao longo dos últimos cem anos, devem chegar aos milhões.

O ser humano tem comportamento curioso. É comum procurar especialistas espirituais na tentativa de aliviar as suas dores, sejam elas físicas, espirituais ou mentais. Muitas vezes dá certo. Outras tantas vezes, talvez em proporção imensamente maior que o sucesso, não dá certo. Mas nesses casos, os relatos normalmente são ocultados.

Nas duas situações, das cirurgias espirituais que dão certo e milagres, o que move mesmo as pessoas é a fé. Esta, sim, é o combustível da esperança de que o problema será resolvido. Para alguns, a fé é a energia que provoca a cura, ou o alívio da dor que atormenta e até escraviza.

Todas as soluções ao alcance devem ser tentadas. Mas alguns cuidados são imprescindíveis. Comento alguns:

  1. As pessoas nunca devem acreditar cegamente que as possibilidades espirituais serão suficientes. É preciso ter fé, mas procurar soluções na medicina convencional e integrativa todos os minutos.

Conheço inúmeros casos de pessoas que depositaram confiança excessiva em um líder espiritual, ao qual são atribuídas curas espirituais ou milagres. Nessa situação, quem está frágil decide acreditar que a força que vem de fora será suficiente para resolver a sua enfermidade ou tormento. Quem age assim renuncia às próprias forças interiores.

Nunca devemos depositar total confiança apenas nos grandes mestres, porque temos muito a fazer por nós mesmos. Acredite no líder, mas diariamente procure uma solução própria para os problemas que surgem de repente. Em nosso interior, temos forças exclusivamente nossas, que nunca fazemos uso.

Descubra ou dedique-se a descobrir, com afinco, os pontos energéticos guardados dentro do próprio corpo. É um exercício interessante de autoconhecimento. Observe as reações do organismo, tente dominar a dor intensa quando ocorrer e nunca desista.

Quem se dedica ao enfrentamento do medo e das inseguranças sempre evolui e fica mais próximo de Deus. É nesse ponto que os guias espirituais, como os sacerdotes e outros produzem os melhores resultados. Ou seja, quando aliamos determinação interior de vencer às forças exteriores, somos praticamente invencíveis.

  1. Devemos ter plena consciência de que temos muito poder recebido do Criador. Porém, a sociedade nos impõe limitações que nos deixam vulneráveis diante dos problemas. Só nos sentimos amparados se existem correntes de pessoas que deem aquela energia que imaginamos que elas têm. Não funciona assim. É preciso conectar nossas energias à dos amigos e familiares que nos acompanham nas caminhadas espinhosas.

Energias mentais são como a eletricidade, que não pode ser vista, mas sentida. Os caminhos são infinitos e essa é a grande bênção: poder escolher o que desejamos. É preciso, entretanto, descobrir o caminho, a estrada que conduzirá ao alívio dos sofrimentos. Paciência e fé são ingredientes indispensáveis.

Posso dizer por experiência própria que vivi o que relato acima. Ao enfrentar o linfoma que me afligia, mantive a fé e a esperança, mas dei muito valor a Deus, por quem procurei diretamente, sem intermediários espirituais. Por mais que pessoas bem intencionadas me aconselhassem a procurar guias espirituais, procurei o meu próprio caminho.

A jornada que vivi foi extraordinária. Aprendi a me conhecer, descobri as forças ocultas de que necessitava. Cada dia fazia descobertas novas que, somadas, fizeram com que manipulasse a minha própria energia.

Sofri fadigas, mas sempre acreditei que iria superá-las e isso aconteceu inúmeras vezes.

O mais importante foi o valor quase absoluto que dei à medicina e à ciência. Passei a pesquisar reações e efeitos dos medicamentos. O duplo objetivo, o espiritual e o de incorporar os medicamentos com eficácia no meu corpo foram suficientes para ter sucesso.

No momento que mais precisei de Deus, Ele se fez presente e guiava as minhas decisões para o acerto. Foi assim que fui abençoado com a cura.

Este texto é tentativa que faço para que as pessoas deixem de tomar decisões erradas quando têm doenças graves. Tenho visto muita gente renunciar às próprias forças para colocar todas esperanças em mãos alheias e usarem alimentos, como chás, ervas e produtos químicos que não irão curar.

As minhas experiências, em detalhes, estão relatadas no meu livro O Templo dos Guerreiros.

Finalizo, citando a bela lição de Madre Teresa de Calcutá:

Enquanto estiver vivo, sinta-se vivo.
Se sentir saudades do que fazia, volte a fazê-lo.
Não viva de fotografias amareladas…
Continue, quando todos esperam que desistas.
Não deixe que enferruje o ferro que existe em você.
Faça com que em vez de pena, tenham respeito por você.
Quando não conseguir correr através dos anos, trote.
Quando não conseguir trotar, caminhe.
Quando não conseguir caminhar, use uma bengala.

Mas nunca se detenha.

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