Este texto não trata de arritmias físicas, como as cardíacas e as cerebrais. A abordagem aqui é comportamental, porque arritmia significa quebra do ritmo; ausência de regularidade no ritmo; e ainda a variação acentuada do ritmo. Portanto, arritmias acontecem também no campo psicológico – sentimental e emocional – e também mental. Muitas vezes não são percebidas, mas, com frequência, trazem consequências nocivas. Daí a importância de refletir sobre o assunto.

Nunca temos um comportamento linear, sempre equilibrado e num mesmo ritmo. Por esse motivo são constantes os imprevistos e os desvios de ritmos dos sentimentos, emoções e da mente em uma infinidade de situações.

Exemplo: Haroldo levantou-se às seis horas da manhã, como era a sua rotina. Logo percebeu que o sono havia sido reparador e pensou: “terei um excelente dia, pois estou disposto e alegre”.

Por esse ritmo pré-definido, ao levantar da cama, Haroldo indicava que teria equilíbrios psicológicos e mentais que deveriam perdurar pelo menos ao longo daquele dia. Porém, ao sair de carro em direção ao trabalho, descuidou-se do volante ao receber e acessar uma mensagem no celular. Foi o suficiente para atrapalhar o trânsito e quase causar um desastre. Por pouco não bateu em outro veículo, cujo motorista, irritado, buzinou e xingou o negligente Haroldo.

O pequeno descuido quebrou por completo um ritmo e provocou desequilíbrios em Haroldo: o batimento cardíaco acelerou mais que o normal, o suor escorreu pelo rosto, o sangue “ferveu” com a ofensa recebida e o decorrer de todo aquele dia foi péssimo, porque o mau humor provocou arritmias em Haroldo, que só se encerraram dois dias depois.

O exemplo serve para todos nós. Quantas vezes pensamos e desejamos ter dias de paz e tranquilidade e nos esforçamos para isso… Até que… uma arritmia imprevisível, às vezes previsível, põe tudo a perder.

Emoções e sentimentos são diferentes:

As emoções podem ser definidas como “impulsos, impulsividade” e acontecem quase automaticamente. Quando nos encontramos com alguém querido, que não vemos há muito tempo, ocorre a emoção da alegria, do contentamento de rever a pessoas amada. É uma situação passageira, que dá muito prazer e causa o impressionante efeito de gerar a ótima arritmia, aquela que nos faz sentir que a vida é maravilhosa.

A ótima arritmia interfere beneficamente nas nossas energias mentais e espirituais. A tendência é a de que os próximos dias sejam melhores, porque a harmonia humana fica fortalecida.

O inverso também é verdadeiro. Ao encontrarmos inesperadamente com pessoas de quem não gostamos, temos antipatia ou até rancor, a emoção também é instantânea. Provoca repulsa, mal-estar e desconforto. É o suficiente para provocar a péssima arritmia.

Atenção à péssima arritmia, devastadora em muitas situações. Isso acontece porque temos a irracional tendência de retê-la, aprisioná-la ao nosso comportamento, a permitir que ela se enraíze nas nossas atitudes.

É possível, assim, que várias vezes sejamos arrastados para um poço sem fim, a desencadear comportamentos que vão da autopiedade – do coitadinho que tem sempre uma desculpa para as suas desgraças – até a escalada de vários comportamentos primitivos, irracionais, que irão afetar relacionamentos e deixar a pessoa e os que estão à sua volta infelizes.

Arritmias dos sentimentos:

Os sentimentos são mais duradouros que as emoções. Várias emoções, somadas, podem desencadear sentimentos. É assim que acontece no amor. É comum pessoas com muitas afinidades sentirem as emoções alegres dos encontros até despertar para o sentimento maior, o do amor, muito mais duradouro.

Os sentimentos, porém, também estão sujeitos a arritmias, sejam elas ótimas ou péssimas, porque é da natureza humana o conflito. Aliás, de acordo com o neurocientista Daniel Eagleman, no livro “Incógnito – As vidas secretas do cérebro”, Editora Rocco Ltda., 2011, o cérebro humano evoluiu a partir dos conflitos cerebrais, os quais todos nós temos, diariamente, repetidamente, até no decorrer de pouco tempo. Por isso, a indecisão, manifestada nos conflitos entre qual seria a melhor atitude a tomar, provoca arritmias infinitamente.

É certo que temos sempre a intenção de acertar, mas por diversos fatores, erramos com muita frequência. É nesse ponto que existe peso das arritmias indesejadas, como a do exemplo acima, do Haroldo.

Os sentimentos são as ligações mais duradouras que mantemos ao longo da vida, como os laços familiares, as amizades, os romances, o vínculo com amigos de escola ou companheiros de torcida.

Todos os polos positivos relacionados à afetividade que duram mais tempo, como os afetos são ótimas arritmias dos sentimentos. Os exemplos ficam a cargo de cada leitor deste texto. Não será difícil identificar as vivências nesse sentido, pois, felizmente, amores e afetos em nossas vidas existem em maior quantidade do que os sentimentos ruins.

Não podemos descuidar, porém, das péssimas arritmias dos sentimentos. Basta lembrar que a arritmia dos nazistas, em especial de seu comandante na segunda grande guerra mundial, trouxe sofrimento irreversível à humanidade. Houvesse como romper com aquela arritmia que se iniciou ainda na infância, talvez o potencial destrutivo não se tornasse realidade.

Nos dias atuais um grande fator de péssimas arritmias dos sentimentos é inveja. Talvez nada cause mais destruições na sociedade que a inveja que é alimentada dia a dia, transmutando a emoção de desejar a conquista de outras pessoas em sentimento irreversível de inveja, simplesmente porque o invejoso não teve a coragem de admirar a quem inveja. Se quebrada a inveja e transformado o sentimento em admiração, nosso mundo seria infinitamente melhor.

Arritmias da mente:

Está ligada aos sonhos, aos planos de sucesso e superação. Quase todas as pessoas desejam evoluir material, financeiramente e ter ao lado alguém com quem possam compartilhar da luta e trajetória de vida.

Os sonhos da adolescência e juventude devem ser conquistados com dedicação e lutas diárias. No percurso, várias arritmias acontecem, porque durante a caminhada problemas surgem. São arritmias, tanto as esperadas por algum indício que dá sinal ou as inesperadas, como a perda de emprego.

As arritmias da mente estão intimamente atreladas às das emoções e sentimentos e são indissociáveis. Contudo, é preciso identificar como ocorrem para encontrar a solução.

As soluções para todos os tipos de arritmia estão no bom senso, na busca do equilíbrio emocional perdido, na moderação de comportamentos.

A arte de enfrentar e vencer as péssimas arritmias deve ser objetivo de todo ser humano. Entretanto, existe uma fase anterior: a de identificar as arritmias nocivas, pois a maioria das pessoas nem consegue perceber a quebra, ausência ou variação dos próprios ritmos. Sem a percepção de arritmias, continuaremos “sem noção” de problemas, alguns muito fáceis de resolver.

Como não temos equipamentos, como os usados na detecção de problemas cardíacos, é preciso desenvolver nossos próprios instrumentos de observação, prevenção e solução de arritmias.

Parece difícil? Sim, há algum grau de dificuldade, mas é possível, sim, manter processos mentais para evitar os dissabores das péssimas arritmias. Só que a solução é muito pessoal. Encontre a sua.

Ah, quanto as ótimas arritmias não é preciso muito esforço, porque são molas propulsoras da felicidade. Desfrute delas.

Observação: Usei no texto pontos de vista pessoais, baseados na minha experiência de vida, que nem sempre coincidem com o de outras pessoas, muitas delas profissionais do comportamento humano.

 

Alguns links interessantes:

Vale a pena ler o belíssimo texto da Por Fátima Alves em Comportamento e Espiritualidade. Acesse http://www.centrodeestudos.org/sentimento-ou-emocao/.

Acesse ainda:

  1. http://www.psicomotricidadepositiva.com.br/2016/12/26/qual-a-diferenca-entre-sentimento-e-emocao/
  2. http://www.huffpostbrasil.com/mathias-oefelein/a-diferenca-entre-emocoes-e-sentimentos_a_21875276/
  3. http://www.psicologiasdobrasil.com.br/diferenca-entre-emocoes-e-sentimentos/
  4. http://fredericoporto.com.br/qual-diferenca-entre-emocao-e-sentimento/

http://www.psicologiafree.com/curiosidades/diferenca-entre-emocoes-e-sentimentos-2/

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