Inicio aqui a parte PARTE II DO LIVRO “O TEMPLO DOS GUERREIROS” capítulo 5, que terá continuação no próximo post –

Leitores que desejarem obter o livro completo, gratuitamente,  favor mandar mensagem para o e-mail danilovprado@gmail.com, que enviarei a versão digital.

 

Na tarde de sábado, 7 de março de 2009, quase aos 49 anos, depois de tirar uma pequena soneca, fui a um supermercado perto de casa.

Ao terminar as compras, subi a pé o morro de um quarteirão, em direção a uma farmácia, onde pesquisaria alguns preços.

No fim da subida, senti fortes dores no peito.

Sempre fui contrário a recorrer aos serviços de pronto-atendimento em hospitais e ambulatórios, porque minha saúde era excelente, da qual cuido com carinho, mantendo alimentação saudável e bons hábitos de vida.

Desde o dia 16 de outubro de 1976 pratico exercícios físicos com regularidade, principalmente corridas e artes marciais. Portanto, naquele dia eu já completara mais de 32 anos de prática regular de esportes.

Mantenho, também, desde os quarenta anos de idade, regularidade dos exames médicos anuais, em razão do fator hereditário de possibilidade de câncer, pois tenho registros de vários casos na linha ascendente.

Meu check up anual havia sido concluído pouco tempo antes, em 28 de novembro de 2008.

Minha saúde naquela data era excelente.

Por alguma razão inconsciente, ao sentir dores no peito, resolvi visitar o pronto-atendimento de um hospital perto de casa.

Não havia motivos aparentes para recorrer à ajuda médica, porque minha primeira impressão era que as dores poderiam ter sido causadas por gases.

Outro fato também chamava a atenção: minha jugular havia aumentado de tamanho e era visível no pescoço. Mas, como naquela semana eu praticara esportes normalmente, imaginei que fosse ocupar os médicos desnecessariamente.

O poder da intuição e a descoberta da doença

Nossa intuição funciona na maioria das vezes. Por isso, depois de várias experiências bem sucedidas, aprendi a não desprezar aquela voz interior que teima em nos alerta para algo que não sabemos o que é.

Aquele foi o dia em que a intuição salvou a minha vida. Começava aí, a minha história angustiante e desafiadora.

Depois de suspeitar de infarto e fazer vários exames que não deram resultado positivo, o médico pediu uma radiografia do tórax. Ele notou uma mancha quase imperceptível, que não foi detectada por vários médicos que viram a mesma radiografia.

O exame posterior, uma tomografia, revelou que eu tinha um tumor quase do tamanho de um ovo de galinha, localizado no mediastino, aquele espaço entre os dois pulmões.

Retirado material do tumor para biópsia, foi constatado câncer linfático, denominado linfoma não Hodgkin, de grandes células difusas B.

Feita nova tomografia, de abdômen, tórax e pescoço, verificou-se que o câncer era de grau 2, porque foram detectados mais dois tumores pequenos no pescoço.

A fase da doença era intermediária, considerando que no total são quatro graus os estágios (o grau quatro é o mais grave).

Esse tipo de câncer é muito agressivo. Se tivesse sido descoberto um mês depois, a cura seria muito mais difícil, porque as células doentes dobram de tamanho a cada quinze dias. Por isso, é muito letal.

Não existem coincidências

Tudo deu certo naquela noite do dia 7 de março de 2009. Decidi consultar um médico, mesmo com toda a resistência que tinha a isso.

Na sequência, fui atendido pelo médico certo, pois outros médicos não conseguiram enxergar o tumor na radiografia.

Se a doença não tivesse sido detectada naquele ponto, provavelmente essas linhas não seriam escritas.

A cirurgia de retirada do material transcorreu sem problemas, apesar da dificuldade, considerando que se o cirurgião não fosse habilidoso poderia perfurar o pulmão ou o coração, que estavam muito próximos do tumor.

O laboratório indicado para fazer a biópsia terceiriza o serviço e avisou que o resultado só ficaria pronto em trinta dias, porque a análise seria feita em São Paulo.

Depois de autorizado o serviço, numa sexta-feira, às 17 horas, o cirurgião de tórax, consultado no sábado de manhã, disse que a doença poderia se agravar. Então, pediu que fosse solicitada a devolução do material e encaminhado a outro laboratório em Belo Horizonte, que fez a biópsia em dez dias.

Não foi coincidência a entrega do material no primeiro laboratório na sexta-feira à tarde. Fosse mais cedo, o material poderia ter sido despachado pelos correios e a devolução seria demorada.

Sem o diagnóstico no tempo certo, o tumor teria aumentado duas vezes de tamanho.

Mesmo que tudo tivesse sido planejado, possivelmente nada poderia ter dado tão certo. Não houve erros nem perda de tempo. Tudo corria a favor do início rápido do tratamento.

Alguns amigos comentam que o médio do hospital que fez o primeiro atendimento era um anjo. E foi mesmo. Outros médicos disseram que fariam a minha dispensa, porque não viram nada de errado naquela radiografia.

Mais adiante, durante o tratamento, outros fatos bons aconteceram, que não foram coincidências. Aconteceu, sim, o cumprimento dos planos de Deus.

Uma missão a cumprir

Qual a nossa missão nesta vida?

Por que algumas coisas dão certo e outras dão errado?

Todos nós temos experiências boas e ruins, como se existisse equilíbrio entre elas. Se formos analisar, parece proporcional em nossa existência o número de experiências boas e ruins.

É possível até que o misto do que é bom e ruim tenha o propósito de nos enriquecer com experiências e nos tornar seres humanos menos incompletos.

É pensamento comum na sociedade de que quase sempre o nosso amadurecimento intelectual, emocional e espiritual é forjado nas dificuldades.

Das experiências boas raramente tiramos ensinamentos. Talvez isso seja cultural, porque nem sempre nos dedicamos a descobrir com maior profundidade a causa da felicidade.

Alguns dirão enfaticamente: “tivemos bons momentos porque lutamos para que isso acontecesse. Fomos dedicados à nossa realização, como estudar para obter um bom emprego e, assim, ter um bom padrão de vida. Há, então, a relação de causa, o esforço; e efeito, a felicidade”.

Pessoas que se dedicam à reflexão, porém, encontram motivos além da relação de causa e efeito para aprender com os momentos bons, principalmente se elas não contribuíram conscientemente para os fatos bons.

Sem dúvida, muito escapa do nosso entendimento quando tudo dá certo sem nos esforçarmos para isso, como na experiência relatada acima: de pessoas certas nos lugares certos.

Einstein dizia que “Deus não joga dados com o universo”, isto é, não faz nada que seja “por acaso” ou pura coincidência. Existe sempre um sentido em tudo o que acontece. É preciso, portanto, tentar compreender e tirar lições dos fatos bons para os quais não contribuímos para que acontecessem.

Há muito a desvendar nos momentos felizes. Não podemos nos limitar a achar que a relação é de causa e efeito, porque tudo no universo está intimamente ligado.

Quantas vezes, em momentos difíceis surgem pessoas desconhecidas e nos ajudam? Quase todos nós, se puxarmos pela memória, iremos nos lembrar de fatos assim.

Todas as vezes que somos ajudados iniciamos uma sequência solidária. Em algum momento futuro seremos melhores e úteis para alguém. Por isso, é sempre importante tentar descobrir por que somos felizes em determinadas situações.

O aprendizado é muito importante em todos os acontecimentos. Descobriremos mais a nosso respeito se refletirmos sobre tudo o que acontece, seja de bom ou rim.

De quebra, pessoas otimistas costumam ser mais felizes que as pessimistas. Elas atraem mais felicidade e são mais construtivas.

Nosso livre arbítrio nos deixa espaço para melhorarmos o que pudermos. Se pensarmos que podemos evoluir, é certo que a evolução acontecerá.

De maneira contrária, se nos dispusemos a ter uma vida desregrada, com hábitos poucos saudáveis, como fumar e beber em excesso, nossa saúde será debilitada e a possibilidade de doenças aumenta.

É no espaço entre a missão que Deus nos incumbiu e o nosso livre arbítrio que os fenômenos das “felizes ou infelizes” coincidências acontecem. Tudo isso está englobado pela missão individual de cada um de nós neste mundo.

Observar e analisar cada fato, isoladamente e no conjunto de nossa vida, é muito importante. Dessa maneira, ficará mais fácil identificar a nossa missão, para cumpri-la com dedicação.

É impressionante como a missão dos homens vai sendo definida ao longo da própria existência.

Na infância, é raro que alguém tenha a definição do que fará na vida adulta, de como viverá e com o que contribuirá para a humanidade. Mas todos, até mesmo o mais cruel dos bandidos, tem a sua missão.

O que mais intriga é a infinidade de missões humanas, as quais se encaixam como peças de quebra-cabeça na história da humanidade. Mas não podemos pensar em missões só no sentido amplo.

O máximo que está ao nosso alcance é refletir sobre a nossa própria existência e sobre o que podemos compreender da vida para melhorar este mundo.

É óbvio que a nossa missão pessoal se entrelaça com a missão de outras pessoas. O necessário é ter a disciplina e a disposição para praticar o bem, embora nem sempre consigamos ser bons sempre.

A intrigante natureza humana não tem a plena consciência do que fará no futuro. Seguimos por imitação uma rota traçada pela sociedade.

Aos poucos, procuramos nos moldar para ser felizes, pois, em última análise, a felicidade é o objetivo de todos nós.

Minha vida seguia curso semelhante ao de bilhões de pessoas, até ser sacudida com a notícia do câncer.

Só me preocupei com a minha missão a partir da descoberta da doença.

A cirurgia reveladora

Só me dei conta de que tinha uma missão a cumprir minutos antes da cirurgia de retirada do material para a biópsia. Naquele momento, não tinha a mínima noção do que pudesse ser, nem mesmo se sairia vivo daquela operação.

A cirurgia envolvia riscos. Por meio de um corte no pescoço, logo abaixo do pomo de adão, uma agulha foi introduzida para retirar material do tumor no mediastino. Assim, exames de laboratórios possibilitariam identificar o tipo da doença.

Em pouquíssimo tempo vivi o seguinte drama: “Estou preparado para o pior? Se isso acontecer, será que cumpri a minha missão? E os familiares que deixarei, ficarão bem? Tenho algum arrependimento que não pode ser reparado?

Fui desviado dos meus pensamentos mais profundos pelo anestesista, que comentou: “pressão onze por sete, batimentos cardíacos 48 por minuto, oxigenação 96%. Você está muito calmo e isso ajuda na cirurgia”.

O comentário do médico foi um excelente indicativo de que eu mantinha o controle emocional. Da minha parte não havia tensão, ansiedade ou estresse que pudesse influenciar negativamente o procedimento cirúrgico.

Naquele instante fui invadido pela certeza de que tudo correria bem e que, por pior que fosse o meu quadro, eu continuaria vivo.

Nos poucos segundos que a anestesia demorou a fazer efeito entrei em meditação profunda. Quando desfaleci, meu cérebro já estava planejando passo a passo o meu futuro.

A convicção que veio naquele momento foi a de vitória. Era a certeza que eu necessitava para ser ainda mais otimista.

Aconteça o que acontecer vou superar qualquer dificuldade. Serei iluminado. Meu corpo, mente e espírito estão em harmonia. Nada será capaz de abalar a minha vitória sobre qualquer doença que for diagnosticada.” Esse foi o último pensamento consciente antes de ser operado.

Acredito que recebi o sopro de Deus naquele momento. Fui capaz de me entregar totalmente nas mãos dos cirurgiões, sobre os quais nada sabia.

Se o cirurgião errasse, ele poderia perfurar meu coração ou o pulmão ou a artéria aorta, pois o tumor cresceu tanto que envolveu essa artéria e fazia pressão sobre ela. Talvez por isso a jugular tivesse aumentado tanto de tamanho, porque havia maior esforço no bombeamento do sangue para o cérebro.

Seriam os médicos bons profissionais? Sim, eram excelentes e trabalharam espetacularmente. Era mais uma “feliz coincidência”?

Percebi que estava sendo impulsionado por uma força muito grande. Não sabia distinguir se a força era oriunda de minha própria energia ou se havia energias externas.

Recentemente, alguns estudiosos relataram experiências humanas inexplicáveis, nas quais muitas pessoas sobreviveram com o que foi chamado de “terceiro homem”.

O “fator terceiro homem ou síndrome do terceiro homem” teria relação com situações nas quais uma presença invisível, como um “espírito”, por exemplo, salva alguém ou dá apoio durante experiências traumáticas, como afogar em poços profundos de cavernas.

O conceito foi popularizado no livro de John G. Geiger “O fator terceiro homem”, que cita dezenas de exemplos.

De acordo com o relato de inúmeros sobreviventes de desastres, uma força invisível, oriunda muitas vezes até de pessoas falecidas, deu a eles a calma e a inteligência necessárias para reverter situações de quase morte.

Não há explicação científica para tais fenômenos. O certo é que em algum momento de nossa existência alguns conseguem, inexplicavelmente, escapar de situações críticas de maneira extraordinária. Creio que isso foi o que aconteceu comigo, mesmo não tendo sentido a presença do “terceiro homem”.

Acredito que Deus habita no interior de cada um de nós. Naquele dia, Ele se manifestou e fez com que houvesse plena harmonia para que tudo continuasse a correr bem, desde a identificação do tumor.

O que mais impressiona foi que não tive sequer a menor dúvida de que seria vitorioso. Portanto, minha mente consciente, já nos primeiros instantes, trabalhava para a preservação da vida.

Não podemos achar que “vamos vencer”. Se pensarmos assim, teremos dúvidas e dessa forma nossa mente pensará assim: “existe chance de algo dar errado, não existe firmeza naquilo que é desejado.” Essa insegurança fará com que algo possa dar errado e poderão faltar forças para conseguirmos o que queremos.

Se pensarmos, porém, da seguinte maneira: “tenho confiança em mim, nada me afastará dos objetivos que tenho, não acontecerão fatos que possam me abalar e todas as dificuldades serão superadas, não importa quais sejam”, as probabilidades de sucesso são certas.

A neurociência explica que a mente consciente tem que dar os comandos para a mente inconsciente cumprir. O nosso futuro será construído pelo inconsciente, que se encarregará de conduzir nossa mente consciente a dar os passos certos.

O neurocientista Daniel Eagleman no livro “Incógnito – As vidas secretas do cérebro”, Editora Rocco Ltda., 2011, diz, na página 17 o seguinte:

A mente não é o centro da ação no cérebro; ela fica numa margem distante, ouvindo apenas sussurros de atividade.”

O que o neurocientista quis dizer é que a mente consciente é influenciada pela mente inconsciente. Esta muitas vezes define o que iremos fazer, sem que nem mesmo percebamos.

Em outro ponto do livro, o autor diz que a mente consciente tem que educar a mente inconsciente.

Foi mais ou menos o que aconteceu comigo. Consegui dar os comandos conscientes para a mente inconsciente, que reorganizou o cérebro para enfrentar o que viria mais a frente.

Aquela cirurgia acontecida na dia 10 de março de 2009 foi a prova incontestável de que a teoria de muitos cientistas está correta.

A expectativa do diagnóstico

O retorno ao lar depois da cirurgia foi de insegurança. O motivo: a biópsia do material retirado do mediastino ainda não estava pronta; e o resultado só seria informado depois de treze dias.

Para muitos pacientes, não saber qual a doença os aflige é pesadelo comum que deve ser levado em conta e superado.

A espera de resultados laboratoriais ou de imagens cria ambiente favorável para quadros de depressão, de medo e até mesmo de pânico.

Antes do diagnóstico, portanto, se a pessoa se desesperar – e infelizmente temos tendência a esperar pelo pior – viveremos o inferno em vida.

As emoções ficarão acima da razão, dormiremos menos. O pouco que dormirmos será com intranquilidade. Por conseguinte, nosso corpo ficará mais frágil.

O pior: nada resolverá para o paciente o desespero, pois nada será alterado. Se a doença for simples ou grave, só os resultados dos exames revelarão.

Decidi retornar ao serviço imediatamente depois da alta hospitalar. Como não sentia dores, usei o trabalho como terapia para esquecer o turbilhão de pensamentos negativos.

Era questão de honra para mim não me contaminar pelo negativismo, que me perseguia e insistia, como um visgo, em colar na minha mente consciente.

Ao ter atividades normais e rotina de trabalho, consegui desviar os maus pensamentos por quase todos os dias antes do diagnóstico.

Infelizmente, todavia, o tempo parecia estar sobrando. Havia um excesso de horas, minutos e segundos em que a mente insistia em ser invadida por sentimentos de mau agouro. Tais momentos aconteciam, por exemplo, na hora do banho e ao deitar para dormir.

Como eu já havia sido alertado pelos médicos que a situação poderia ser grave, não dei conta de evitar totalmente os pensamentos ruins. Porém, o impacto foi muito abrandando pela ocupação com os afazeres normais.

Nos momentos de fraqueza, de sentimento de impotência diante do que viria, a melhor estratégia foi chorar. As lágrimas eram abundantes. Mas cada lágrima foi trabalhada pela mente consciente.

Não foram choros em vão, sem sentido. Idealizei que cada lágrima caída seria a construção de minha fortaleza, isto é, serviria para me dar forças. Dessa maneira, quanto mais chorava, mais energias físicas e mentais eram acumuladas.

Naqueles momentos decisivos a meditação foi fundamental. Toda noite, antes de dormir, eu dava comandos conscientes para o cérebro da seguinte forma: “hoje o dia foi melhor que ontem, as lágrimas trouxeram mais energias. Por isso, amanhã o dia será ainda melhor. Aos poucos estou recuperando meu controle emocional e nada irá me abalar.

O primeiro pensamento ao amanhecer reforçava o propósito da noite anterior. A meditação era assim: “Esta noite meu cérebro se reorganizou para a luta que está próxima. Começo este dia melhor do que foi ontem. Sinto as energias fluírem por minhas veias, com vibrações que são capazes de aliviar meu sofrimento. Aliás, esse sofrimento é passageiro. Em breve, recuperarei o pleno domínio da saúde e de minha vida.

No horário do almoço, por mais ou menos dez minutos, eu me deitava confortavelmente, e reforçava o contrato íntimo comigo mesmo. Naqueles poucos minutos, minha mente tinha a prazerosa sensação de não possuir nenhum pensamento.

De acordo com os cientistas, o cérebro humano não fica sem pensar, ou seja, seria ilusão de milhões de pessoas que meditam achar que conseguem ficar com um vácuo na mente consciente. No entanto, mesmo que seja ilusão, essa sensação produz inúmeros efeitos benéficos.

Penso que, ao relaxar todos os músculos do corpo na meditação, o cérebro fica mais livre para criar o espaço “neutro”, em que a mente consciente acredita não haver pensamentos.

No meu caso, o mecanismo usado era como se fosse um contrato, com obrigações a cumprir e benefícios a receber. Assumi o compromisso comigo mesmo que teria que aliviar aquele momento de tensão.

Ao receber os comandos conscientes ao anoitecer e ao amanhecer, o cérebro foi programado para alcançar os objetivos propostos.

A meditação após o almoço era a consolidação da proposta de mudança.

O sentimento de culpa que insiste em rondar alguns doentes

Tive pensamentos recorrentes que insistiam em apontar “culpa” por muitas ações que eu praticara durante a vida.

Aparentemente, pessoas em situações aflitivas costumam pensar primeiro: onde errei?

Em seguida, talvez como forma de justificar o sofrimento, são estabelecidas relações de causa e efeito por situações não resolvidas ou mal resolvidas.

Da espiral de culpas brotam arrependimentos e diversas sensações de que algo no passado ficou pendente. Eis, para muitos, a justificativa da doença.

O passado teima em assombrar muitas pessoas doentes. É preciso esforço para nos desvencilhar desse passado, porque normalmente ele não pode ser mudado.

Tive alguns dramas de consciência por algumas culpas. Mas, ao examinar racionalmente as emoções do passado, concluí que minhas decisões foram as melhores.

É interessante observar que quando fazemos reflexões sobre determinadas situações, em diversos aspectos, em contexto mais amplo; e analisamos os possíveis desdobramentos, encontramos explicações que justificam as nossas ações pretéritas.

Percebi que as culpas não se justificavam. Como naqueles casos não havia mais nada a fazer, exercitei o autoperdão pelos acontecimentos passados, que não tinham nenhuma relação com a doença.

É possível, entretanto, que algumas pessoas possam fazer algo para alterar o passado. Nesse caso, se o incômodo for grande e a situação puder ser resolvida essa opção deve ser avaliada.

Se houver inimizades, a reconciliação é alternativa, existindo mágoas não ditas, seria alívio procurar resolver. Assim acontecerá em todas as situações passíveis de mudanças.

Lições aprendidas no primeiro impacto da doença

  1. Para vencer a fase inicial de qualquer notícia ruim é preciso ter muita disciplina para acalmar a mente e obter o otimismo necessário para as fases seguintes.
  2. Além da disciplina é preciso, ainda, procurar métodos alternativos que possam ser usados em nosso benefício.
  3. Quando recebemos qualquer notícia ruim é natural que as emoções dominem nossa mente racional. O desespero inicial, a dor da notícia, é algo que acontece com a maioria das pessoas. É preciso aceitar que essa é uma fase e que vai passar.
  4. Cada pessoa tem o seu tempo de recuperação de impactos negativos. Algumas pessoas se recuperam mais rápido, e procuram soluções na medicina e na alimentação para fortalecer o espírito e o organismo para a caminhada a ser iniciada. Outras demoram tempo um pouco maior, mas é comum para quem persiste encontrar o próprio caminho.
  5. Chorar é bom, desabafar com parentes e amigos faz bem. Mas a firme determinação de vencer a fase inicial de uma notícia ruim consiste em equilibrar as emoções com a mente racional.
  6. Pensar e agir, sempre com otimismo, é chave para a superação. Por isso, devemos evitar sempre as emoções pessimistas.
  7. As emoções positivas devem ser comemoradas com intensidade. Demonstrar alegria e entusiasmo para as pessoas próximas gera correntes de vibração e de força impressionantes, que facilitam as soluções.
  8. É preciso evitar sentir culpa, a qual só agrava o sofrimento.
  9. Se persistir “peso de culpas na consciência” em situações que podem ser resolvidas, é melhor procurar a solução mais rápida. Caso contrário, o melhor é exercitar o autoperdão.
  10. Devemos ser tolerantes com as nossas fraquezas, porque as energias retornarão e muitas soluções se manifestarão.
  11. Se não houver tempo para contratar os profissionais de saúde que desejamos, o melhor é depositar a confiança naqueles profissionais que nos atendem. Assim, nossa mente ficará mais serena e contribuirá para o sucesso do tratamento ou procedimento médico.

12. O cérebro não pode ter dúvidas. A neurociência explica isso. Nunca pense: “acho que vou vencer”. Sempre diga: “Tenho certeza da vitória”. Assim, o cérebro trabalhará a nosso favor.