Uma missão a cumprir

Qual é a nossa missão nesta vida?

Por que algumas coisas dão certo e outras dão errado?

Todos nós temos experiências boas e ruins, como se existisse equilíbrio entre elas. Se formos analisar, parece proporcional em nossa existência o número de experiências boas e ruins.

É possível até que o misto do que é bom e ruim tenha o propósito de nos enriquecer com experiências e nos tornar seres humanos menos incompletos.

É pensamento comum na sociedade de que quase sempre o nosso amadurecimento intelectual, emocional e espiritual é forjado nas dificuldades.

Das experiências boas raramente tiramos ensinamentos. Talvez isso seja cultural, porque nem sempre nos dedicamos a descobrir com maior profundidade a causa da felicidade.

Alguns dirão enfaticamente: “tivemos bons momentos porque lutamos para que isso acontecesse. Fomos dedicados à nossa realização, como estudar para obter um bom emprego e, assim, ter um bom padrão de vida. Há, então, a relação de causa, o esforço; e efeito, a felicidade”.

Pessoas que se dedicam à reflexão, porém, encontram motivos além da relação de causa e efeito para aprender com os momentos bons, principalmente se elas não contribuíram conscientemente para os fatos bons.

Sem dúvida, muito escapa do nosso entendimento quando tudo dá certo sem nos esforçarmos para isso, como na experiência relatada acima: de pessoas certas nos lugares certos.

Einstein dizia que “Deus não joga dados com o universo”, isto é, não faz nada que seja “por acaso” ou pura coincidência. Existe sempre um sentido em tudo o que acontece. É preciso, portanto, tentar compreender e tirar lições dos fatos bons para os quais não contribuímos para que acontecessem.

Há muito a desvendar nos momentos felizes. Não podemos nos limitar a achar que a relação é de causa e efeito, porque tudo no universo está intimamente ligado.

Quantas vezes, em momentos difíceis surgem pessoas desconhecidas e nos ajudam? Quase todos nós, se puxarmos pela memória, iremos nos lembrar de fatos assim.

Todas as vezes que somos ajudados iniciamos uma sequência solidária. Em algum momento futuro seremos melhores e úteis para alguém. Por isso, é sempre importante tentar descobrir por que somos felizes em determinadas situações.

O aprendizado é muito importante em todos os acontecimentos. Descobriremos mais a nosso respeito se refletirmos sobre tudo o que acontece, seja de bom ou rim.

De quebra, pessoas otimistas costumam ser mais felizes que as pessimistas. Elas atraem mais felicidade e são mais construtivas.

Nosso livre arbítrio nos deixa espaço para melhorarmos o que pudermos. Se pensarmos que podemos evoluir, é certo que a evolução acontecerá.

De maneira contrária, se nos dispusermos a ter uma vida desregrada, com hábitos poucos saudáveis, como fumar e beber em excesso, nossa saúde será debilitada e a possibilidade de doenças aumenta.

É no espaço entre a missão que Deus nos incumbiu e o nosso livre arbítrio que os fenômenos das “felizes ou infelizes” coincidências acontecem. Tudo isso está englobado pela missão individual de cada um de nós neste mundo.

Observar e analisar cada fato, isoladamente e no conjunto de nossa vida, é muito importante. Dessa maneira, ficará mais fácil identificar a nossa missão, para cumpri-la com dedicação.

É impressionante como a missão dos homens vai sendo definida ao longo da própria existência.

Na infância, é raro que alguém tenha a definição do que fará na vida adulta, de como viverá e com o que contribuirá para a humanidade. Mas todos, até mesmo o mais cruel dos bandidos, tem a sua missão.

O que mais intriga é a infinidade de missões humanas, as quais se encaixam como peças de quebra-cabeça na história da humanidade. Mas não podemos pensar em missões só no sentido amplo.

O máximo que está ao nosso alcance é refletir sobre a nossa própria existência e sobre o que podemos compreender da vida para melhorar este mundo.

É óbvio que a nossa missão pessoal se entrelaça com a missão de outras pessoas. O necessário é ter a disciplina e a disposição para praticar o bem, embora nem sempre consigamos ser bons sempre.

A intrigante natureza humana não tem a plena consciência do que fará no futuro. Seguimos por imitação uma rota traçada pela sociedade.

Aos poucos, procuramos nos moldar para ser felizes, pois, em última análise, a felicidade é o objetivo de todos nós.

Minha vida seguia curso semelhante ao de bilhões de pessoas, até ser sacudida com a notícia do câncer.

Só me preocupei com a minha missão a partir da descoberta da doença.

Continuarei a publicar outros tópicos do livro nos próximos posts.

Como ter sorte

Em julho de 2014 publiquei neste blog o texto Espere o melhor que terá o melhor. Coincidentemente, a revista Seleções Reader’s Digest publicou texto com citações científicas que, de certa forma, confirmam o texto que escrevi. Destaquei em negrito os pontos que acho importantes. Confira abaixo.

Como ter sorte

Revista Seleções Reader’s Digest – fevereiro 2016 – páginas 64 a 67

Por Kate Rockwood DE HEALT.COM

 A sorte não é um jogo de azar. Os especialistas identificaram quatro hábitos que podem nos pôr a caminho da fortuna.

Quando se mudou para Chigaco, Anna Z. entrou em um grupo de falantes de árabe. “Adoro coisas novas”, explica ela. “Vi o grupo e pensei: por que não?” E foi também um golpe de sorte: o organizador passou a infância em Fez, no Marrocos, onde Anna morava quando aprendeu o idioma. Hoje, estão casados e têm um filhinho.

Algumas pessoas diriam que o destino levou Anna ao futuro marido. Mas a abertura de Anna às estranhas possibilidades da vida a pôs no lugar certo na hora certa. A sorte não é uma força misteriosa. “Em grande medida, somos responsáveis por boa parte da sorte que temos”, diz o Dr. Richard Wiseman, professor de psicologia e autor do livro O fator sorte. Eis algumas características que separam os afortunados dos que se acham azarados.

  1. ESPERE COISAS BOAS

Quando se sentem sortudas, as pessoas viram a balança do acaso a seu favor. “Esse tipo de expectativa provoca a concretização do que se espera”, diz Wiseman. Pesquisadores da Universidade de Nova York descobriram que os alunos que acreditavam que conseguiriam um encontro tinham possibilidade muito maior de conquistar seu objeto de desejo.

Explicação simples: autoafirmação. Quem acredita que vai se dar bem fica mais motivado. Sentir-se com sorte pode até ajudar a ganhar um prêmio num evento de caridade: quanto maior o otimismo, maior a probabilidade de comprar mais rifas. Não tem talento natural para Poliana? Amuletos ajudam a aumentar a confiança. Num estudo alemão de 2010, supersticiosos participaram de um jogo de memória; quem usava talismã teve pontuação mais alta do que os outros.

  1. SORTE NO NAMORO

Pessoas sortudas cultivam muitos amigos e conhecidos. Num estudo, Wiseman mostrou uma lista de sobrenomes aos participantes e lhes pediu que dissessem se tinham relações de amizade com pelo menos uma pessoa de cada sobrenome. Dos que se consideravam sortudos, quase 50% marcaram oito nomes ou mais. Somente 25% dos azarados conseguiram isso. “Os sortudos conversam com muito mais gente, atraem outros e mantêm contato”, explica Wiseman. “Esses hábitos resultam numa ‘rede de sorte’ que cria potencial para ligações favoráveis”.

A Dra. Colleen Seifert, cientista cognitiva da Universidade de Michigan, aconselha a sair da rotina: vá a uma confeitaria, ajude a levantar recursos para uma campanha, faça aulas de mergulho. “Jogar um pouco de caos na vida nos deixa abertos a encontros ocasionais”, diz ela. Talvez aquela pessoa seja sua alma gêmea, seu sócio nos negócios ou alguém com quem você vai bater um papinho de cinco minutos e nunca mais verá. A meta é se manter aberto a possibilidades.

  1. PROCURE O LADO BOM

Achar o valor do azar ajuda o cérebro a processar as situações de outra maneira, segundo Tania Luna, uma das autoras do livro Surprise: Embrace the Unpredictable and Engenieer the Unexpextade (Surpresa: abrace o imprevisível e construa o inesperado), Luna mostrou a crianças imagens emocionalmente intensas, como um menino chorando, enquanto media a atividade cerebral delas. Depois, mostrou novamente as imagens com uma explicação tranqüilizadora, como: “Esse menino acabou de reencontrar a mãe.” O cérebro dos participantes apresentou uma queda drástica da atividade da amígdala, que processa o medo. Pessoas de sorte também são capazes de transformar a pedra no caminho em evento positivo, o que as ajuda a continuar correndo riscos. Enfrente seu próximo revés com as seguintes perguntas: o que aprendi? O que quero agora? Como conseguir?

  1. CONFIE EM SEUS INSTINTOS

Elizabeth B. nunca se esquecerá seu momento de mais sorte. Ela ia de carro da Pensilvânia para Nova York quando algo lhe disse para comprar um bilhete de loteria. Assim que ela parou, houve um terrível acidente: “Uma picape atravessou minha pista e bateu na grade de proteção. Se eu não tivesse parado, meu carro teria sido destruído.” Talvez a paradinha de Elizabeth tenha sido um golpe de sorte. Ou talvez a intuição a tenha avisado de que seria melhor se afastar de um motorista imprevisível. Ela não tem certeza. Mas processamos muito mais informações visuais e detalhes sensoriais do que percebemos conscientemente, e isso leva a instintos que não sabemos explicar.

Em um estudo britânico, o ritmo cardíaco dos participantes foi medido enquanto jogavam cartas com quatro baralhos. Eles não sabiam que o jogo estava preparado: dois baralhos tinham cartas de alto valor, dois tinham cartas ruins. O ritmo cardíaco dos jogadores despencava quando eles se aproximavam dos baralhos com cartas altas; seu corpo identificava a diferença antes que a mente percebesse. Portanto, confie no instinto. Pessoas de sorte têm mais tendência a adotar práticas que as põem em sintonia com a voz interior, como meditar e fazer caminhadas.

 

Espere o melhor que terá o melhor

Nascemos para ter o melhor.

Alguém duvida?

Existem provas, pois nossas vidas melhoram a cada ano.

Faça o balanço.

Comprove que anualmente mais acontecimentos bons foram incorporados à sua existência.

Mas, não vale reclamar do que queria que acontecesse e não aconteceu.

Tudo tem tempo certo.

Se o seu desejo ainda não foi realizado,

ou você não se dedicou o suficiente para ter o que quer,

ou ainda não é o momento de acontecer.

 

Nossas vidas recebem o benefício de ter 95% de acontecimentos bons,

que muitas vezes não percebemos,

ou fazemos questão de não enxergar.

O sol brilha neste planeta todos os dias.

Mas também caem tempestades diariamente em algum ponto da terra.

Por que não enxergar a luz?

A luz é constante.

Mas tempestades são passageiras. Outra prova de que temos o melhor.

 

Evoluímos mesmo sem querer, porque a sociedade nos impulsiona com novas maravilhas e tecnologias.

A medicina surpreende com descobertas em tempo recorde.

As cidades estão mais agradáveis, com recursos melhores.

Nossos bons relacionamentos tendem a se consolidar.

O ser humano está mais sensível às causas sociais.

Portanto, vivemos no contexto do melhor mundo de todos os tempos.

 

Fases difíceis todos nós temos, mas são exceções.

Quase sempre saímos das crises sem perdas.

Só perdemos se insistimos em dar maior valor às derrotas.

Os ciclos da vida se alternam e todos nos fazem maiores e melhores.

Sem fases ruins, não damos valor aos bons momentos.

Sem as derrotas inevitáveis, a vitória não tem sabor.

Tudo se equilibra se compreendermos o sentido da vida.

 

Não veja a vida com lentes pessimistas.

Quem espera o pior tende a sofrer mais,

… e a receber o pior.

Não reclame do tempo, do caos no trânsito, do aperto financeiro, do país, do mundo…

Que mania terrível a de querer que o pior aconteça. Esqueça isso!

Reclamar nos acorrenta ao pessimismo.

Assim, o nosso cérebro é programado para esperar derrotas e tragédias.

E o ciclo se alimenta indefinidamente, porque fatos ruins acontecerão.

Com razão, eram esperados e até desejados inconscientemente.

 

Espere o melhor e terá o melhor.

Troque a polaridade de sua mente: de negativa para positiva.

Programe o seu cérebro para esperar boas notícias e bons acontecimentos.

Boas surpresas acontecerão em sua vida. E não serão “por acaso”.

Por mera coincidência.

Sua mente otimista produzirá resultados surpreendentes,

porque espera sempre o melhor.

A vida pode ser primavera e verão constantes, colorida, alegre, descontraída… Mesmo com a troca das estações, o outono e o inverno serão vividos com naturalidade.

Eis o sentido da compreensão: esperar sempre pelo melhor…

E encarar como parte efêmera da vida as mais temíveis tempestades, que são superadas por aqueles que sabem lidar com os altos e baixos da existência humana.

A doação de medula óssea

O corpo humano é presente que recebemos gratuitamente. Para a nossa alegria, a saúde da humanidade é bênção que ainda esbanjamos. Os enfermos e aqueles que possuem algum problema físico ou mental representam parcela pequena em todas as sociedades. Isso é facilmente constatado com a simples caminhada pelas ruas, onde é possível observar que a maioria das pessoas leva vida normal e saudável.

Temos de considerar que os infindáveis problemas pessoais retiram do ser humano a saúde recebida. É certo que todos nós, consciente ou inconscientemente, de alguma maneira temos práticas de autodestruição, como fumar, beber em excesso, sedentarismo, excesso de peso corporal etc. Mesmo assim, as opções de destruição ou enfraquecimento de nossa saúde, em boa parte, é escolha que fazemos. Portanto, não podemos esquecer que somos responsáveis por nossos atos e saúde.

A humanidade está ficando doente com as práticas erradas. Há apenas três anos, o número de novos casos de câncer no Brasil era de 500 mil. A estimativa para 2014 era de 580 mil, de acordo com o INCA, Instituto Nacional de Câncer, do Ministério da Saúde. Para 2016, é de cerca de 600 mil. Ou seja, em pouco mais de dois anos, poderá haver em nosso país aumento de 20% no número de pessoas com câncer.

É nesse ponto das estatísticas horrorosas que podemos escolher ajudar. Sim, ajuda humanitária que pode salvar a vida de alguém que poderá contribuir para que esta terra seja melhor. Existe até a possibilidade de que alguém curado seja pesquisador e consiga encontrar uma solução para evitar que a epidemia mundial de câncer se alastre ainda mais, pois neste planeta são 13 milhões de novos casos por ano.

A doação de medula óssea significa repassar a saúde que temos para pessoas que precisam dela, sob a forma material que cura. É, na prática, medicamento saudável e natural, que extraímos da dádiva recebida de Deus.

Muita gente tem o receio de doar, por medo do procedimento de retirada. Todavia, o desconforto é passageiro. Vários sites esclarecem sobre o assunto. Acesse:

https://www.graacc.org.br/como-ajudar/doacoes/doador-de-medula-ossea.aspx

http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?ID=64 – Este site tem a garantia do Ministério da Saúde e indica também os locais de doação em http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?ID=2146

Vale a pena acessar o relato de um doador de medula óssea para conhecer mais:

https://medulaossea.wordpress.com/doacao-de-medula-ossea/o-relato-de-um-doador-de-medula-ossea/

Por fim, faço os convites:

  1. Aos doadores de medula, que relatem, neste blog ou na minha página do Facebook, a experiência de doar a medula óssea e a sensação que tiveram ao ajudar.
  2. Aos receptores de medula óssea, que comentem a incrível experiência de poder viver normalmente após receber o transplante.

Acho importante o compartilhamento de experiências. Assim, as dúvidas serão esclarecidas e as correntes de solidariedade serão fortalecidas.

O perdão é um bom remédio

Reproduzo abaixo, integralmente, o interessante e belo texto da revista Seleções do Reader’s Digest, por tratar de tema de interesse geral, com a abordagem de aspectos científicos. Por isso, Recomendo a leitura para pessoas que passam por alguma dificuldade.

Destaquei em negrito os pontos que considero mais importantes.

Boa leitura!

O perdão é um bom remédio

Por Lia Graiger – Seleções do Reader’s Digest – janeiro de 2016 – páginas

63 a 67

Durante semanas, Karsten Mathiasen, 40 anos, foi dominado pela fúria. Meses antes, a mulher desse diretor de circo dinamarquês o abandonara para morar com outro homem. Cheio de ódio pelo novo companheiro da mulher, ele passava as noites acordado, com uma crescente dor de estômago e pensamentos raivosos rodopiando na cabeça. Começou a beber à noite para conseguir dormir.

Finalmente, foi a preocupação dos dois filhos pequenos que convenceu Karsten a conhecer esse homem de quem sentia tanta raiva.

Quando os dois se encontraram num café de Copenhague, Karsten percebeu que perdoaria o novo parceiro da mulher. Em vez de uma xícara de café, os dois tomaram várias e passaram  horas conversando.

Na volta para casa, Karsten se espantou ao perceber que a tristeza e raiva tinham sumido. Mais do que isso: ele se sentia fisicamente bem pela primeira vez em meses. Dormiu como um bebê naquela noite e acordou com a mente clara e o corpo relaxado.

“O perdão foi um grande presente que dei a mim mesmo”, diz Karsten.

Costumamos pensar no perdão como algo que fazemos pelo bem dos outros., mas novas pesquisas mostram que não é bem assim.

“Quem se dedica ao perdão passa por alterações de fisiologia”, diz o Dr. Robert Enright. Fundador do International Forgiveness Institute (Instituto International do Perdão) e autor dos livros O poder do perdão, The Forgiving Life (A Vida que perdoa) e 8 Keys to Forgiveness (8 segredos do perdão), ele pesquisa a força do perdão há três décadas. “O perdão ajuda o indivíduo a se livrar da chamada raiva tóxica”, diz ele. “O tipo de raiva que pode literalmente matar”.

Num estudo publicado em 2009 na revista Psychology and Healt, Enrighte sua equipe examinaram o efeito do perdão sobre a saúde de pacientes cardíacos. Eles verificaram que os participantes que perdoavam melhoravam de forma significativa o fluxo de sanguíneo no coração, mesmo após quatro meses do ato de perdoar.

Em termos fisiológicos, esses achados fazem sentido. Quando pensamentos de raiva e vingança invadem o cérebro, as duas metades do sistema nervoso autônomo se ativam ao mesmo tempo: tanto a simpática, que nos estimula, quanto a parassimpática, que nos acalma. Pense na primeira como o pedal do acelerador do carro e na segunda como o freio. O que acontece quando se pisa com força no freio ao acelerar? O carro vai seguir aos solavancos, e são essas as mensagens confusas e estressantes recebidas pelo corpo e pelo coração de quem vive ressentido.

E não é só o coração que pode se curar. Um estudo de 2011 apresentado à Sociedade de Medicina Comportamental, nos Estados Unidos, mostrou que o perdão ajuda a aliviar a insônia, e outro estudo realizado no Centro Médico da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, também nos EUA, verificou que o perdão pode fortalecer o sistema imunológico de portadores do HIV. A cada ano que passa, novas pesquisas revelam que perdoar ajuda a curar muitas coisas, desde a insônia até, talvez, o câncer.

A vida de Rosalyn Boyce desandou em 1999 quando um homem invadiu sua casa em Londres e a estuprou enquanto sua filha de 2 anos dormia no quarto ao lado. Três semanas depois, o criminoso, um estuprador contumaz, foi preso e condenado a três penas de prisão perpétua.

Para Rosalyn, no entanto, o pesadelo não acabou. A lembrança do ataque enchia a sua cabeça o tempo todo, e ela foi forçada a se mudar da casa da família para fugir das recordações. Comer ficou impossível. Os médicos diagnosticaram depressão reativa e transtorno de estresse pós-traumático e lhe receitaram Prozac e tranqüilizantes. Ela começou a tomar uma garrafa de vinho por noite para esquecer.

Quando a saúde física e mental se deteriorou, Rosalyn percebeu que tinha de se curar. Com estudo e terapia, descobriu que o único caminho era perdoar o agressor. “Para mim, perdoar significava não sentir mais nenhum vínculo com o estuprador e me libertar do crime”, escreve ela. “Depois que escolhi entender o perdão nesses termos, um fardo imenso me foi tirado.”

Em julho de 2014, por meio de um programa de justiça restaurativa, Rosalyn finalmente conseguiu visitar o estuprador e então perdoou. “Depois, fiquei eufórica”, conta ela. “Não penso mais no estupro. Ele sumiu como fumaça.”

Pouca gente entende o perdão melhor que Marina Cantacuzino. Ex-jornalista, Marina é fundadora e diretora do Forgiveness Project (projeto Perdão), um site na Internet e uma série de exposições com histórias pessoais no mundo inteiro, inclusive a de Rosalyn, para explorar os limites e as possibilidades do perdão. “Perdoar não é concordar nem desculpar” explica a britânica, desfazendo o mito de que perdoar significa dizer que o acontecido foi aceitável. Outra concepção comum e errada é que o perdão exige reconciliação com o ofensor; não, não exige. É possível perdoar e não retomar o relacionamento. Na verdade, o perdão exige uma reconfiguração do passado para que se possa ver o incidente e o ofensor através de uma lente mais ampla, com mais compaixão.

Marina Cantacuzino também diz que oferecer perdão não significa abrir mão do direito de justiça. É possível perdoar alguém que terá de ir preso ou pagar pelo que fez. Na verdade, uma de suas definições favoritas de perdão veio de um presidiário: “Perdoar é abandonar toda esperança de um passado melhor.”

Depois de mudar da Inglaterra para o Líbano em 1966 e ver o país se dilacerar em 15 anos de guerra civil, Alexandra asseily, incrédula, se sentiu arrasada pela capacidade de violência da humanidade.

“Eu precisava perdoar as pessoas que destruíram o lugar lindo que era o Líbano”, diz a psicoterapeuta. Ela decidiu conversar com homens que tinham sido combatentes violentos no conflito. “Quando consegui vê-los como seres humanos e não como monstros, percebi que passara no meu próprio teste.”

Em 1984, ela ajudou a fundar o Centro de Estudos Libaneses da Universidade Oxford, na Inglaterra, onde se esforça para promover o perdão como ferramenta de paz e cura. Em seu trabalho, Alexandra diz que é comum encontrar pessoas que adoeceram. Ela descreve uma mulher de Roma que passou muitos anos ao lado do marido infiel e hoje está morrendo de câncer. “Ela é amarga, e acho que se corroeu por dentro”, diz Alexandra, que admite que a relação entre raiva e câncer ainda não foi cientificamente demonstrada.

Mas talvez não seja assim por muito tempo. Robert Enright se uniu ao oncologista eslovaco Pavel Kotou’ek num estudo para determinar se o perdão pode ajudar na batalha contra o câncer. Kotou’ek diz que tratou muitos casos na Eslováquia e na Inglaterra em que a amargura do paciente parecia paralisar o sistema imunológico. “Há fortes indícios de que, se melhorarmos o perfil imunológico do paciente de câncer, conseguiremos controlar a doença.”

O estudo será realizado em toda a Europa pela entidade Myeloma Patients Europe, que oferecerá aos pacientes a terapia do perdão além de tratamentos convencionais, como quimioterapia, radioterapia e transplantes de medula óssea e células-tronco.

Para Azaria Botta, 33 anos, uma auxiliar de ensino de Vancouver, no Canadá, o rompimento com uma das melhores amigas abriu os olhos para o poder curativo do perdão. No verão de 2004, com uma de suas amigas mais antigas, Azaria partiu numa viagem pela Europa de mochila às costas. As duas moças, empolgadas, deram início à viagem e percorreram o Reino Unido antes de chegar a Paris. Foi lá que a amiga de Azaria anunciou que faria um passeio romântico de uma semana com um jovem mochileiro colombiano.

Azaria ficou chocada e furiosa. Passou a semana sozinha em Paris, cheia de raiva e desapontamento. Também sofreu estranhas dores de cabeça e de barriga. Azaria continuou a ferver de raiva depois que a amiga voltou a Paris e lhe pediu muitas desculpas.

No retorno a Vancouver, a raiva de Azaria não a abandonou – nem as dores de cabeça e de barriga. Só quando a amiga implorou desculpas e as duas se reconciliaram aos prantos, a cabeça de Azaria parou de doer e seu apetite voltou. Foi então que ela ligou os pontos: a raiva a deixara doente. “Eu me senti mais leve”, diz Azaria. “Desistir daquela raiva foi o primeiro passo.”

Os especialistas são inflexíveis: não existe um caminho específico para o perdão. “É diferente para cada um”, alerta Marina Cantacuzino.

Com o passar dos anos, alguns se sentem desgastados pelo ódio e pelo medo e decidem mudar. Outros, segundo ela, conhecem alguém parecido com o ofensor ou assistem a um programa de televisão que os leva a pensar na situação de um jeito diferente.

Robert Enright concorda que o perdão pode assumir muitas formas, mas, no aspecto mais básico, perdoar é oferecer bondade a quem nos feriu.

“O perdão pode assumir a forma de respeito, de retornar um telefonema ou dizer a outra pessoa uma palavra gentil sobre o ofensor”, explica ele. “O paradoxo é que, quando temos misericórdia de quem não a teve conosco, nos curamos emocional e, às vezes, também fisicamente.”

Continuação do CAPÍTULO 1 – OS FUNDAMENTOS DO TEMPLO DOS GUERREIROS

Fortalecer as boas intenções

Há dois mil anos prevalecia a lei de Talião, era “dente por dente, olho por olho”.

Até que Cristo, em território completamente hostil, pregou que “se lhe derem uma bofetada numa face, ofereça a outra face”. A revolução estava iniciada no mundo ocidental.

Outras culturas, mesmo antes de Cristo, também já pregavam a não violência. Porém, mudanças de comportamento, que destoam dos costumes, não são praticadas sem uma boa preparação.

A prática de alguns atos precisa de ambiente próprio. Perdoar, por exemplo, nasce de uma decisão pessoal, que pode ser tomada no ambiente adequado dos espaços sagrados, construídos pelo homem ou pela natureza, os quais incentivam a reflexão e a tomada da decisão.

Os comportamentos sociais não podem ser mudados abruptamente, porque causam conflitos, tal a estranheza dos atos, que provocarão repulsa nas pessoas que não estão acostumadas a eles.

No passado remoto, a maneira encontrada pelas pessoas para planejar secretamente seus atos eram as reuniões. Os encontros precisavam acontecer às escondidas, para evitar a repressão. Mesmo quando havia boas intenções, as perseguições ocorriam.

Ao buscar os bons propósitos, naturalmente Deus era invocado para proteger aquelas pessoas. Os rituais eram sagrados, os locais também eram abençoados. Assim, o fortalecimento das boas intenções acontecia.

O efeito e as consequências positivas das práticas em templos eram frequentes, assim como acontece hoje. Portanto, quem deseja se fortalecer para alcançar seus ideais precisa de ambiente adequado, seja na própria residência ou em outros locais reservados para tal finalidade.

Aproximar o homem de Deus

Há uma corrente de pensamento que apregoa que cada ser vivo, cada molécula e partícula deste universo é uma parcela de Deus.

A nós, humanos, com o dom da inteligência, foi reservado um espaço interior, no qual Deus habita. Ou seja, Deus está presente em cada um de nós porque somos uma parcela Dele.

Se Deus está em nós, nosso corpo é um templo, porque o sagrado vive em nosso interior.

Muitas culturas pregam que não precisamos procurar por Deus fora de nós. Basta termos a prática da oração e da meditação para fazermos contato com o divino.

Cada um de nós tem uma consciência que não nos dá a plenitude de nosso ser, pois é comum termos reações que não conhecemos.

Arrependemo-nos de coisas que fizemos. Temos comportamentos irracionais e adotamos, às vezes, estilo de vida que nos faz mal.

Segundo o neurocientista Daniel Eagleman, no livro Incógnito, Editora Rocco, 2011, o ser humano vive sem se conhecer. Diz ele que o autoconhecimento é utópico, pois é o nosso inconsciente que rege a nossa vida.

É preciso acreditar, no entanto, que temos boa parcela de controle sobre nós mesmos e procurar sempre o autoconhecimento.

Parece haver mesmo algo muito estranho em nossas vidas. Muitas vezes percebemos que somos guiados de forma contrária à nossa vontade, tanto para o bem quanto para o mal.

Procuramos escolher com critérios. Muitas vezes acertamos, outras vezes erramos. Temos uma consciência e um inconsciente que nos leva a decidir.

Algumas pessoas argumentam que se Deus estivesse presente em nosso interior não cometeríamos erros e seríamos sempre bons.

Por que não conseguimos ser bons sempre? Por que erramos?

Erros e acertos fazem parte do propósito de Deus para que encontremos o equilíbrio de que necessitamos. Dessa forma, poderemos evoluir o nosso espírito.

Há um permanente equilíbrio de forças no universo. Por isso, o bem e o mal estão sempre em conflito. E quem vence? Às vezes o bem, às vezes o mal.

Por mais que nos esforcemos para ser 100% bons nunca conseguiremos esse ideal. Até mesmo porque podemos pensar que fazemos o bem a determinada pessoa, mas essa pessoa pode achar que não a ajudamos.

Conta-se que um velho índio disse ao neto: “dentro de mim vivem dois lobos, um bom, compassivo, tolerante e bondoso; e outro lobo, perverso, egoísta e traiçoeiro. E qual deles ganha? perguntou o neto. Aquele que mais alimento, respondeu o avô”.

Assim somos nós, alimentamos nossas tendências de bondade ou maldade, mas não temos total controle sobre elas.

O estímulo às boas práticas deve ser constante em nossas vidas. Cada vez que tentamos ser melhores, engrandecemos a humanidade e a nós mesmos.

Não sejamos colaboradores do mal. Se não acertarmos, teremos a oportunidade de nova chance e assim não incentivaremos o mal.

Apesar do eterno conflito interior do homem, nosso corpo pode ser considerado um templo. Devemos, por isso, tentar nos aproximar de Deus, respeitando nossos limites físicos, tratando bem cada órgão e membros corporais.

Como quase ninguém enxerga nosso corpo como um templo, vivemos sem nos preocupar de que nele existe ainda, uma mente e um espírito, que se interagem e determinam o nosso modo de viver.